“No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele. E ouviu-se dos céus uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição”. E logo o Espírito o impeliu para o deserto. Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam. Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho”.”
                                                                                                       São Marcos, 1 – 10-15

Quando ouvimos falar em quaresma logo surge em nossa mente: Deserto, Jejum, Tentação, Cruz e Ressurreição. É o tempo de muito mais do que relembrarmos os dias que Jesus ficou no deserto é tempo de unirmo-nos a Ele. “Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto”(Catecismo da Igreja Católica § 540).

 

Pensar neste lugar muitas vezes nos causa medo. Nele existe a secura, o calor escaldante durante o dia e um frio rigoroso durante a noite. Para onde se olha não existe nada, a não ser a solidão. Muitas vezes ele deixa de ser apenas um lugar físico e passa ocupar o nosso interior.

Santo Tomás de Aquino dizia que não existe dor pior do que o silêncio de Deus. Aqueles momentos em que rezamos e nada acontece, parece que Deus não nos ouve e se afastou de nós. Realmente quanta dor isso traz ao nosso coração.

Assim como o Cristo somos levados ao deserto, lugar de penitência, oração, formação e encontro com Deus. Precisamos ser preparados pelo Senhor para a missão de anunciar o Evangelho. Jesus fica no deserto e se prepara para anunciar que o reino estava próximo e chamar os homens a conversão, o servo não é maior que o seu Senhor.  Devemos nós hoje continuar essa missão do Cristo, tão difícil nestes dias em que vivemos.

 

É momento de unir-se ao Senhor, completar na carne aquilo que faltou a cruz de Jesus (Cl 1, 24) e mergulhar fundo na missão de resgatar as almas. É preciso se preparar, no corpo e também na alma. O inimigo vem furioso, mas Deus nos dá a força para vencê-lo e saímos mais fortes. Afinal, no deserto Deus nos revela grandes coisas.

Em meio a estes sentimentos podemos aprender uma grande lição: O deserto nos leva a conhecer a Deus. Depois que ele passa conseguimos enxergar as belezas que este tempo formou em nossas almas.
É preciso saber aproveitar o tempo, enxergar além das aparências e ver que Deus fala em todos os momentos. Nessa hora são formados os homens agradáveis a Deus.

O caminho da Cruz é o que Deus reserva aos seus escolhidos, quanto mais os ama, mais os sobrecarrega de tribulações. Santa Teresa de Jesus.

Que O Espírito Santo nos conduza a este momento desafiador, mas necessário na vida de todo cristão. Momento em que vivemos muitas vezes no silêncio, aquele que nos permite ouvir a voz de Deus. Que este tempo de penitência e revisão de vida nos inspire a oração e a conversão, que vivamos este tempo com amor, que ele nos prepare para a maior missão de todas: A SANTIDADE. O maior incentivo para se viver bem o deserto e as provações é amar a Deus, sem o amor nada vale. Deus tem preparado os escolhidos para a edificação do seu Reino. E você deseja viver essa experiência?

Jean Alex Pinhata

Discípulo CCPD

“Que dizes de tu mesmo? Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías” (Jo 1, 22-23)

Esta foi a resposta de João Batista quando questionado sobre sua identidade. (Que dizes de tu mesmo?)

Poderíamos aqui falar amplamente sobre a identidade de São João Batista, mas, apesar da extrema riqueza, não é o intuito.

Ao olhar São João Batista podemos contemplar a figura do consagrado, que respondendo ao seu chamado, consegue encontrar -se em sua essência. Consegue construir sua identidade e, ser o que Deus lhe propôs. Eis aí a fonte de nossa reflexão: SER O QUE DEUS QUER QUE SEJAMOS – SANTOS.

A busca da vontade de Deus é o anseio de todo aquele que, mergulhado no amor, deseja SER muito mais que fazer ou ter. Deseja estar unido ao seu amor e viver eternamente nessa condição.

A vocação respondida acertadamente nos confere essa alegria.

Aqui caberia a cada um perguntar -se: Que digo de mim mesmo? Quem sou eu? Para que vivo?

São questionamentos próprios do ser humano, independente de já ter elegido a Deus como Senhor de sua vida. A nossa sociedade vive um tempo de busca constante de si mesmo. De busca da própria existência, do sentido.

Então, poderia surgir a seguinte questão: mas se busco a mim mesmo, estou sendo egoísta?

Santa Teresa Benedita da Cruz diz: “O que conhecemos de nós mesmos não é senão superfície. A profundidade permanece-nos em grande parte oculta. Só Deus a conhece”.

Se buscamos a nós mesmos, buscamos nossa essência e, esta está em Deus. Somente Ele é capaz de nos levar a ela e a uma vida inteira, completa, longe da fragmentação que hoje a humanidade vive.

O egoísmo é fruto de um isolamento no qual somos iludidos em pensar na possibilidade de não precisar de ninguém, de bastar-se. Sendo assim, não precisamos de Deus.

Quando nos questionamos, verdadeiramente, sobre nossa essência, buscamos na verdade o sentido de vida, a vocação.

O lugar de cada um de nós depende unicamente da nossa vocação. A vocação não se encontra simplesmente depois de ter refletido e examinado os vários caminhos: é uma resposta que se obtém com a oração.” (Santa Teresa Benedita da Cruz)

 

Encerro, convidando a reflexão sincera, verdadeira, diante daquele que nos ama e nos salva, resgatando a dignidade de filhos de Deus, a respeito da identidade, do sentido de vida. Quem sou? O que posso dizer de mim?

Que o bom Deus, no início deste ano, nos auxilie na busca pela verdade de nossas vidas, nos levando a corajosamente assumir nossa essência, assim como os santos o fizeram.

 

Célia Santana

Cofundadora e consagrada da CCPD

A Teologia do Corpo de São João Paulo II veio despertar o mundo para a Beleza com B maiúsculo, devolver ao Homem o significado de ser ícone e não ídolo, revelar o criador e seu amor através de seus corpos, a não parar em si mesmo, que podemos encontrar Deus em cada Homem e Mulher. Os nossos corpos são chamados a transferir para o mundo o tesouro que é Deus, o masculino e o feminino revelam o divino, merecem reverência, e respeito.

Foram 129 catequeses falando sobre o amor humano, trazendo o corpo e alma como sagrado, pois o corpo participa da salvação, pois Deus se fez carne.

“Pelo fato do verbo (Cristo) ter se encarnado, o corpo entrou na teologia pela porta principal.” São João Paulo II

A Teologia do Corpo nos mostra que tudo que Deus criou realmente é bom, nossa sexualidade, nossos afetos, sentimentos, desejos, todos pensados e criados por Deus, por amor a humanidade, para que um dia todos sejam um com o Ele na eternidade. Porém, com a entrada do pecado no mundo tudo isso virou uma bagunça, a desordem entrou para fazer estrago, e a beleza da complementariedade, da doação entre Homem e Mulher se rompem, e dão lugar ao uso, a dominação do outro, entretanto não está tudo perdido.

Pela redenção de Cristo somos capazes de voltar a amar, temos a chance de expressar com nossos corpos a verdadeira comunhão entre Homem e Mulher, que revelam como Deus quer se relacionar conosco, com profunda intimidade. Devolve para esse tempo o entendimento perdido pela crise moral que vivemos na sociedade, a sacralidade do matrimônio, que é sacramento, sinal visível de Deus de que é possível passarmos da luxuria para a pureza.

“A pureza é um requisito para o amor é a dimensão da verdade interior do amor no coração do homem” (TdC 49)

Só ama verdadeiramente quem busca a virtude da pureza, pois consegue vencer a concupiscência que nos tenta a usar o outro, a fazer das nossas relações dependentes, limitadas, descartáveis e estéreis para uma relação, Livre, Total, Fiel e Fecunda. O matrimônio é a maior expressão de Amor, a união total de um homem e uma mulher, como Cristo e sua Igreja, é um sacramento, uma vocação, eu não me caso porque gosto de alguém, mas porque sou vocacionado para isso, é um chamado de Deus.

A pessoa com a qual eu me caso é a missão de Deus para mim, para amá-lo, faço isso por Deus, por ver no outro Deus que se faz presente em minha vida por aquela pessoa.

Nos consagramos, casamos, ordenamos para sermos santos, que é a meta de todo cristão, na espera futura do casamento de Cristo com a sua igreja, a eternidade é nosso casamento com o Cristo.

“Um santo é uma pessoa que foi tão penetrado na beleza de Deus que se tornou tão belo quanto essa beleza.” (São João Paulo II)

Ele nos fez inteiros e somente ele pode nos completar e nos fazer felizes, somente o Cristo pode preencher a solidão que existe dentro de cada homem.

Estamos destinados há um casamento que sacia nossas almas, um casamento na eternidade. Convido você a se aprofundar nesse estudo, em poucas palavras espero deixar em você um desejo de busca e descoberta do real sentido de nossa existência.

Bruna Teixeira

Consagrada CCPD

Nova evangelização significa dar razões da nossa fé, comunicando o Logos da esperança ao mundo que aspira à salvação. Os homens têm necessidade da esperança para poder viver o próprio presente. Por esta razão, a Igreja é missionaria na sua essência e oferece a revelação do rosto de Deus que, em Jesus Cristo, tomou um rosto humano e nos amou até ao fim. As palavras de vida eterna que nos sãos dadas no encontro com Jesus Cristo são para todos, para cada homem. Cada pessoa do nosso tempo, quer o saiba ou não, tem necessidade deste anúncio. (Instrumetum Laboris. art.167)

Diante deste apelo da Igreja na Nova Evangelização como primazia, pois, esta em sua essência, a Igreja é Missionária, assim nós da Comunidade Católica Passio Domini, primeiramente como batizados que somos e homens e mulheres que um dia de alguma forma foram impactados pelo poder da Palavra Redentora. Assim, esta grande graça do Encontro como nos diz nosso Papa Emérito Bento XVI em sua encíclica “ Deus caritas Est” (Deus é Amor), que o Cristianismo nasce de um encontro com uma pessoa e essa pessoa é Jesus Cristo. Não podemos simplesmente reter tamanha obra de redenção somente a nós, é preciso de forma ousada e acolhedora, promover situações do ENCONTRO, trata-se de pretextos muitas vezes, para que o homem contemporâneo seja atraído e deixe-se encontrar com a pessoa do Ressuscitado que está entre nós, não é um Deus distante e inerte aos seus filhos e filhas, e esta presença é, sobretudo por meio de sua esposa a Igreja, esta tem o poder de transmitir este encontro.

Na sociedade atual, é preciso criar meios e formas novas, para alcançar a todos, pois a salvação é para todos, a partir de nossa experiência do encontro, todos precisam enxergar algo de diferente em nós, precisamos mostrar que é possível ser santo no mundo atual é possível ser de Deus, SIM É POSSÍVEL!

Em meio a uma disseminação do “ser descartável”, uma das formas de promover o encontro é através da ACOLHIDA. E este é para nós um valor, como princípio, como parte integrante de nosso Carisma, então de modo acolhedor, levando as pessoas a sentirem-se amadas, importantes para nós e para Deus, pelo simples fato de serem filhos e filhas de Deus e por isso merecem toda a nossa atenção, atenção esta por meio dos sentidos (olhar, tocar, ouvir e sentir), sim as pessoas necessitam muitas vezes de um simples abraço, de um simples ombro e ouvidos atentos para lhe escutarem, sim alguém que possa dar um minuto de sua atenção, e não por meio da tecnologia como na troca de mensagens, mas sim no face a face.

Desta forma, as pessoas sentem-se valorizadas, exatamente como todos aqueles que passaram pelos caminhos de Jesus, (Maria Madalena, Zaqueu, o Cego Bartimeu, a Samaritana), o princípio, o Cerne do encontro está na acolhida, ali já inicia o processo de conversão, libertação, que promovem a vida nova, isso é evangelização promover o homem e a mulher ao encontro com o Ressuscitado.

Jesus quer derramar em profusão, o seu amor sobre os nossos corações e os corações de todos aqueles que precisam ser Evangelizados. É preciso continuar o anúncio da Paixão e salvação de nosso Senhor Jesus Cristo em todos os cantos da terra. O Senhor quer reunir um povo que transborde amor. Transbordar amor consiste em imprimir no mundo profundamente hedonista e secularizado, onde o sagrado perdeu seu espaço, os valores do Reino. (Estatuto CCPD Art.8º Inciso I)

Leandro Ramos

Consagrado da CCPD

A Comunidade Católica Passio Domini sempre teve um forte chamado para a vida ativa (apostólica) e ao mesmo tempo contemplativa (vida oracional), essa última com um enfoque nos feitos de Nosso Senhor, na sua maior expressão de amor, e de um amor incondicional, que é a sua Paixão, Morte e Ressurreição. Após alguns anos na busca de uma densa formação nos aspectos que concernem ao autoconhecimento da pessoa Humana, percebemos que o Homem novo é um a ser feito, a conversão é processual, precisamos de auxílio, de pastoreio, de orientação, existem sentimentos e realidades que nos passam desapercebidas e Deus sempre quer nos curar, libertar e convencer.

Nos dedicamos de forma interna a busca pela construção do Homem novo, reconciliado com Deus, consigo e com os outros, que faz a experiência de amar a Deus e muito mais de se deixar amar por Ele. Motivados por essa dinâmica da formação interna na Obra Passio Domini sentimos o forte impulso de que outras pessoas possam também serem tocadas pelo Amor Incondicional que alivia seus sofrimentos mais latentes.

Assim surge o Via Amoris. Um caminho, um método, que se constrói a partir da motivação de um relato Bíblico presente no texto do Evangelho de São João no capítulo 4, o caminho da Samaritana, esse o ponto de partida para a ressignificação da vida a luz da experiência feita com a pessoa de Jesus.

Nesse retiro faz-se a descoberta de ferramentas que possam colaborar com a construção de uma nova história, do Homem Novo, que pode, em Jesus, torna-se testemunha do Amor.

É um retiro de 4 (quatro) dias, no qual se privilegia os momentos de silêncio, de orações comunitárias, nos quais fazemos uso dos dons carismáticos, da experiência de deserto, com a reflexão da vida a partir da Leitura Orante da Palavra de Deus, temos também momentos de Adoração, Santa Missa, Orientação Espiritual e Atendimento Psicológico.

Todo o retiro traz uma profunda reflexão antropológico-bíblica (compreensão do Homem por meio da Palavra de Deus) pela qual se pretende proporcionar o acesso ao Autoconhecimento, no percurso conta-se com diversos colaboradores para essa caminhada, como ministros de cura interior e orientadores do campo da psicologia, que tem a missão de ser um sinal da presença acolhedora e amorosa de Deus na vida da pessoa que está trilhando o caminho.

 

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Via Amoris

“Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda”.”
São Mateus, 19 

Nestes dias com tendências tão hedonistas e individualistas fica-se difícil falar de uma realidade tão desafiadora quanto o Celibato por amor ao reino dos céus.  O celibatário antecipa na Terra aquilo que viveremos no céu: um eterno casamento com o esposo de nossas almas. Então, o celibatário demonstra para nós aquilo que todos nós seremos um dia. Ele é um sinal visível de que a eternidade existe.

O celibatário é alguém que foi ferido de amor, alguém que foi profundamente amado pelo seu Senhor e agora deseja unir-se de uma maneira sobrenatural aquele que desposou a sua alma. Somos chamados a estarmos aos pés da cruz, leito nupcial dos consagrados com o seu Senhor onde se envolve intimamente com o Amado e experimenta-se do seu amor incondicional.

O Celibatário é chamado a assemelhar-se ao seu amado na Cruz, totalmente entregue ao Senhor. Alguém que trás em si as feridas de um amor avassalador e que busca somente em Deus a cura dessas feridas. Feridas essas onde se acolhe as dores de toda uma humanidade sofrida e marcada pela ausência de Deus, o sofrimento originário de todos os outros sofrimentos.

A cruz e mais ainda o Crucificado marcam a nossa historia, representadas no Antigo e no Novo Testamento pela figura do matrimônio. A espiritualidade dos esponsais é uma experiência de amar e ser amado pelo amor. A esponsalidade está ligada a fidelidade e Cristo quer destacar esse amor incondicional e essa entrega quando se mostra na figura do esposo da Igreja. E.P.D. Art 7 Inciso IV.

Abraçar a vida no celibato não significa renunciar a sua sexualidade, nos diz São João Paulo II, mas reconhecê-la como um dom de uma entrega total de si para Deus e para o outro, por amor ao reino de Deus.

A resposta do chamado do Senhor ao celibato por toda a vida é um dom particular de si, para retribuir de modo particular o amor esponsal do Redentor, um dom de si entendido como renúncia, mas feito sobretudo com amor. TdC, 79,9.

O celibatário carrega dentro de si um amor tão grande que, dividi-lo apenas com uma pessoa no matrimonio não seria suficiente. Ele é aquele que deseja mais, quer sempre mais. Existe uma sede no coração de cada celibatário, ecoa-se na alma o grito de Jesus crucificado: Tenho Sede. Sede de que todos encontrem a Jesus, que todos possam conhecer esse amor que desposa as nossas almas e traz sentido a nossa existência.

Um grito que ecoa e chama a estar ligado ao seu Amado, um amor tão profundo e radical que preenche todo o seu coração, não sobrando espaço para nada que não seja o objeto do seu amor. A vivência de alguém que busca viver absorvido em Deus, uma só carne com o seu Senhor.

Jean Pinhata

Pré-discípulo CCPD

A Igreja nos ensina, em sua tradição, a relação de amor entre Deus e a própria Igreja, ou seja, cada um de nós. Cristo cabeça da Igreja, dá a vida na Cruz, para nossa salvação em uma relação de esponsalidade. É aí, na Paixão de Cristo, que se dá essa entrega de maneira plena, incondicional.

“Durante as noites, no meu leito, busquei aquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar. Vou levantar-me e percorrer a cidade, as ruas e as praças, em busca daquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar. Os guardas encontraram-me quando faziam sua ronda na cidade. Vistes acaso aquele que meu coração ama? Mal passara por eles, encontrei aquele que meu coração ama. Segurei-o, e não o largarei antes que o tenha introduzido na casa de minha mãe, no quarto daquela que me concebeu.” (Cântico dos Cânticos 3,1-4)

Nesse texto da Sagrada Escritura. Deus expressa seu amor e fidelidade a sua amada e, sua amada expressa a necessidade de estar com seu amado para não se perder. Somos chamados a corresponder da mesma forma, com fidelidade, de maneira incondicional. Mas, mesmo que não o façamos, mesmo que sejamos infiéis, que nos permitamos cair em nossas fraquezas, Deus continua fiel a nos amar incondicionalmente.

A relação de amor é uma proposta para todos os filhos de Deus.

A relação de amor esponsal é mais específica, pessoal, vocacional.

Deus chama algumas pessoas a viver o amor esponsal. E o que seria esse amor esponsal?

É o amor de entrega, de doação que existe entre Deus e as almas. Algumas almas são escolhidas para uma entrega total e plena a Deus, a uma consagração, a uma esponsalidade. Almas que encontram na vivência da esponsalidade com Deus a saciedade, a plenitude de sua existência. Almas, que nessa vivência, alcançam uma vida de santidade, de eternidade. São chamadas com isso, a espelhar, a trazer o testemunho de eternidade, de salvação em Deus.

 

A Esponsalidade Passiocêntrica

 

A cruz e mais ainda o Crucificado marcam a nossa história, representadas no Antigo e Novo Testamento pela figura do Matrimonio. A espiritualidade dos esponsais é uma experiência de amar e ser amado pelo Amor. A esponsalidade está plenamente, intimamente, ligada a fidelidade, e Cristo quer destacar esse amor incondicional e essa entrega quando se mostra na figura do esposo da Igreja.

A Esponsalidade Passiocêntrica consiste na prática da comunhão íntima e amorosa com o Senhor da Paixão (Passio Domini). É um caminho que deve ser trilhado ao longo da vida. É um projeto experiencial de amor que vai se desenvolvendo na perspectiva da Paixão de Cristo, ou seja, na incondicionalidade, fundamentado no Mandamento do Amor.” (E.C.C.P.D. Art 7 Inciso IV Inciso IV).

A Esponsalidade Passiocêntrica tem como centro de sua vivência a Paixão do Cristo. Ali está o local de encontro das almas com o seu esposo que ama incondicionalmente, sem impedir-se ou colocar obstáculos a esse amor. “Amor que constrange, amor que nos espera, que ama independente de nossos pecados e infidelidades, de ter ou não retorno.” No Carisma do Amor Incondicional, somos chamados a ser retrato vivo desse amor que se dá incondicionalmente a todo tempo, para todos, independente de ter retribuição ou transformação.

 

AMAR COMO DEUS NOS AMA.

Célia Santana

Cofundadora CCPD

Se aproxima mais um aniversário da Comunidade Católica Passio Domini e,  por isso, os filhos do Carisma celebram,com alegria e esperança, os 13 anos da manifestação de Deus através do seu Amor Incondicional para com todos.
“Na cruz está Tudo e dela sai tudo” – o Carisma nasce do coração transpassado de Jesus na Cruz que é fonte de amor e sentido para aquele que tem a marca da eleição de Deus, na vocação Passio Domini.  Não podemos fazer nada sem a cruz.
A cada dia somos convidados por Deus a fazer a experiência com o mistério da Paixão, e na medida em que experimentamos e vivenciamos esse mistério, somos provados em nossa fidelidade, constância e fé no chamado feito por Jesus a cada um de nós.
Estamos no caminho… E, no caminho existem muitas pedras, desafios, perdas e ganhos… Entretanto, Deus é fiel e nos concede forças suficientes para continuar pois, até aqui o Senhor nos ajudou: “Vinde a mim, todos que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei” (Mateus 11, 28); “Invoca-me no dia da tribulação e livrar-te-ei” (Salmo 50, 15); “Invoca-me e eu te responderei e te anunciarei coisas grandes inacessíveis, que tu não conheces” (Jeremias 33, 3). A cada caminhada, aprendemos que não existe ganho sem perda, mas com luta.
São 13 anos de muitos momentos vividos que nos levaram e ainda nos levam, para um processo de amadurecimento espiritual e humano. Crescer não é fácil, mas é necessário! Quando o Senhor olha para nós, Ele enxerga o consagrado Passio Domini que há dentro de cada um, na profundidade do ser de cada pessoa eleita, separada para a vocação específica.
Podemos dizer que estamos desabrochando como uma plantinha… Isso mesmo… somos uma pequena muda, que normalmente é muito frágil, mas que seguindo os cuidados e orientações necessárias, se tornará uma bela árvore a seu tempo.
E o que falar para esse Tempo de graça para a família Passio Domini?
Que possamos ser dóceis e livres, para que a espiritualidade do Carisma nos conduza a abrir o coração para a ação do Espírito Santo, a fim de que Ele nos convença neste  tempo das  três convicções:
1) Amar sem restrição a Deus
2) Amar sem restrição a Igreja
3) Amar sem restrição ao Carisma e a Instituição

“No crucificado encontraremos para nós toda riqueza, toda graça. Nele recebestes todos os dons… nenhum dom vos falta.” (Sto. Afonso Maria de Ligório – A Prática de Amor a Jesus Cristo)

FELIZ ANIVERSÁRIO COMUNIDADE PASSIO DOMINI!!!

 

Ana Paula S. Rocha

Consagrada da CCPD

Todos nós precisamos do nosso tempo com Deus. É uma necessidade vital, indispensável e inadiável. Quando rezamos o Pai-Nosso, não dizemos “o pão nosso da semana me dai hoje”, porque a oração deve ser o alimento de cada dia, ela é o “pão nosso de cada dia”. Portanto, deve ser vivida diariamente.

Então, precisamos de um tempo diário, certo? (imagino você respondendo: certo, beleza!) Mas como definir esse tempo? Em qual momento do dia devo parar e viver a oração pessoal e meu estudo da Palavra?

Primeira coisa é parar de dizer mentalmente ou verbalmente: “estou sem tempo”. Se Deus inventou um dia com 24 horas, é porque dá sim para fazermos tudo, inclusive estar com Ele nas 24 horas, dedicando momentos desse dia para encontros profundos e pessoais. VOCÊ TEM TEMPO! E Ele está ali escondido onde você mais realiza coisas supérfluas ou desnecessárias para seu hoje.

Organizando o tempo

Coloque num papel tudo o que você faz durante 24 horas (incluindo o tempão no celular). Saia riscando o que não é preciso tomar seu tempo hoje, e você verá que há muito mais espaço para Deus do que você imagina.

Definir o horário da sua oração diária é uma decisão importante e que vai dar formato a sua rotina – tendo visto os espaços disponíveis do seu dia, defina seu horário de oração. Alguns dedicam os momentos – oração e estudo – de formas separadas, se essa for sua realidade fique atento.

Quando você definir seu horário, seu cérebro levará um tempo para aceitar o tempo escolhido, como parte definitiva do seu dia a dia. No começo, será difícil rezar todos os dias no mesmo horário. Haverá semanas em que você irá parar, mas a falta de “costume” pode gerar “bloqueios” e nesses instantes devemos suplicar doses dobradas da Graça de Deus e da presença do Espírito, para que não sejamos vencidos pelo desconforto rítmico do nosso cérebro.

Seu cérebro vai precisar da sua constância, OK?

Ah, não mude o horário nas primeiras semanas em que não der certo. Espere. Tente. Passe um tempo naquele instante e analise seu comportamento. O horário ideal é aquele em que dou tudo para Deus, observe sua entrega. Escolha pelo momento do dia em que você esteja cheio de gás. As primícias da manhã é nosso ideal, acordamos dispostos, recarregados. Existem casos e casos em que rezar pela manhã não é possível, mas, se você tem condições, troque o colchão pela cadeira; o celular na cama pela Bíblia na mesa e (ação) oração!

Também é importante analisar o que antecede seu momento de oração – se você tiver alguma atividade antes do seu horário, analise se é algo que lhe roube a paciência e a concentração. Não adianta chegar à oração “uma pilha de nervos”, porque acabamos descontando tudo em Deus, entende? 

Hal Erold, no seu livro Milagre da Manhã, diz que seu primeiro pensamento antes de dormir, motivará sua primeira ação ao acordar. Então, se você for tentar rezar de manhã, tente dormir já #MOTIVADERRÍMO para na manhã seguinte viver seu momento de oração.

Seja paciente, persistente e coloque-se como um aprendiz de si mesmo. Acima de tudo, saiba que é um “costume” conduzido pela Graça e não somente pelo seu esforço humano. A vida de oração se constrói na vida, não em um dia ou uma semana. Teremos a vida para exercer esse caminho de aproximação que nos formará e nos preparará para contemplar a Face de Cristo.


Aproveite o seu tempo para viver sua fé e Deus lhe ajudará

“Quando completou-se o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebermos a dignidade de filhos. E a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: “‘Abá, Pai!’” (Gl 4,4-6). O tempo do relógio e dos calendários não são suficientes para entender a vida humana. Faz-se necessário ver o tempo, do ponto de vista Daquele que é  o Senhor do tempo e que o supera; para Ele “um dia é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pd 3,8). De fato, diante de Deus afirmamos com clareza: “Nossos anos de vida são setenta, oitenta para os mais robustos, mas pela maior parte são fadiga e aborrecimento, passam logo e nós voamos. Quem conhece o ímpeto da tua ira, quem teme a violência do teu furor? Ensina-nos a contar nossos dias e assim teremos um coração sábio” (Sl 89, 10-12). A plenitude do tempo chegou quando Deus quis!

Como fazer o encontro do nosso tempo, com o tempo de Deus? Como fazer para que os dias do ano que termina, não voem como penas ao vento e se percam, e sim, tenham sentido profundo e sejam incorporados como tesouro em nossa história? A Igreja aprendeu, no decorrer dos tempos, a contar os dias a partir de seu Senhor, para não parar nas fadigas ou no ócio eventual que, acabam até por irritar nossa frágil natureza. É que para os homens e mulheres de fé, o tempo que corre, chama-se história de salvação e, não minutos aproveitados ou desperdiçados. “Tudo coopera para o bem dos que amam a Deus” (Cf. Rm 8,28).

Qual é a chave do tempo?

A chave do tempo está em: professar a fé e declarar o amor a Deus. Então, tudo adquire seu pleno sentido, porque a primeira escolha é amar a Deus, antes de optar pela alegria ou pela dor, pelo riso ou pelas lágrimas. Trata-se de buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas serão dadas por acréscimo. Por isso, a pessoa de fé, entende que não há motivos para se preocupar com o dia de amanhã, pois esse terá sua própria preocupação! “A cada dia basta o Seu cuidado” (Cf. Mt 6,33-34).

Com o dia de hoje há que se “ocupar”, viver bem cada momento presente, transformando-o em oportunidade para amar a Deus e ao próximo. Se, com tal afirmação, alguém possa parecer simplista, apenas aceitemos o desafio de experimenta-la, e será possível ver os frutos.

Nesta perspectiva, o que fazer do passado, cuja sombra tantas vezes aparece como fantasma que assusta? Primeiro, uma gratidão imensa pelos dons recebidos, pelo bem que a pessoa foi capaz de fazer, um olhar positivo sobre todas as pessoas e acontecimentos. Depois, uma decisão carregada de sabedoria é experimentar o perdão. Perdoar as pessoas que nos ofenderam, perdoar a nós mesmos pelas falhas, faltas e pecados e, mais ainda, recorrer à fonte do perdão que é a misericórdia infinita de Deus. Continua válida e profundamente curativa a proposta da Igreja, que se chama “Sacramento da Reconciliação”. Uma boa e sincera confissão, diante daquele tribunal cuja sentença é sempre a absolvição, é um santo remédio, e quantas são as pessoas que necessitam redescobri-lo.

Ainda à mesma luz, nenhum ano é perdido e jogado no lixo. Ao invés de tentar esquecer os revezes da sociedade ou da política, ou, quem sabe, as derrotas pessoais em todos os campos, que tal integrar tudo, aproveitando para o bem as lições deixadas pela vida?

Há algo a fazer com o futuro, que muitas vezes repetimos pertencer a Deus e, é verdade! Insegurança é pretender adivinhá-lo, ou antecipá-lo, “morrendo de véspera”. Serenidade é deixar que ele aconteça. Inteligência é aprender a confiar na Providência de Deus e equilibrar os passos do dia a dia com previdência e equilíbrio. Maturidade é estarmos prontos a fazer o que depender de nós, superando a ansiedade que nos tira a paz.

Faça o seu ano diferente

Entretanto, o que temos à disposição é o presente, e o futuro será uma sucessão de momentos presentes bem vividos! O dia 1º de janeiro, Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, é Dia Mundial da Paz. Na belíssima oração da “Ave Maria”, cujas palavras brotam tão espontaneamente de nosso coração, dizemos assim: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém”. Quanta sabedoria e piedade em tão poucas palavras, repetidas por nós desde a mais tenra infância. Só temos certeza de dois momentos! O de nossa morte, quando deveremos apresentar-nos diante de Deus, em nossa páscoa pessoal, e esperamos que seja de grande alegria, e o “agora”. Sim, na “Ave Maria” rezamos o mistério do tempo, comprometendo-nos a viver intensamente este agora, repleto de possibilidades, desafios e alegrias, acolhendo com prontidão a tarefa cotidiana de preencher com amor, todas as nossas decisões e os passos a serem dados.

Para o ano que está para começar, é bom fazer o propósito de preencher com amor o relacionamento com as pessoas, e esse é o melhor meio para sermos felizes. Falando da acolhida aos migrantes, o Papa Francisco propõe quatro atitudes, a serem praticadas em relação a eles, e nós os temos bem perto (bastando pensar nas levas de indígenas, vindos de outros países, que aportam em nossa região norte). O Papa Francisco  indica com a luz da Palavra de Deus, as práticas que servirão para iluminar, a partir dos irmãos mais pobres, todo o relacionamento humano, no tempo que nos é dado: “Acolher”, não repelir as pessoas para lugares onde as aguardam perseguições e violências: “Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos” (Hb 13,2). “Proteger” lembra o dever de reconhecer e tutelar a dignidade inviolável dos que fogem dum perigo real em busca de asilo e segurança e impedir a sua exploração: “O Senhor protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva” (Sl 146,9). “Promover” é apoiar o desenvolvimento humano integral dos que chegam de fora, pois Deus “ama o estrangeiro e dá-lhe pão e vestuário” (Dt 10,18-19). “Integrar” é permitir que esses irmãos e irmãs participem na vida da sociedade que os acolhe, para que de todos nós se possa dizer: “Portanto, já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus” (Ef 2,19). Vale como “programação”, para viver o mistério do tempo neste ano novo, à luz da Palavra de Deus e da Palavra da Igreja!

Canção Nova