O sexto mandamento da Lei de Deus determina guardar a castidade nas palavras e obras. O seu âmbito inclui também a descoberta do significado e do valor do celibato consagrado, e implica a sua vivência por aqueles que receberam um tal dom divino. Muita gente, hoje, não entende o celibato dos sacerdotes e não acredita que eles o vivam fielmente. Isso acontece, certamente, por alguns o quebrarem ou o colocarem em dúvida; e outros nem sempre sabem testemunhar com a sua vida feliz. Ao mesmo tempo, parece não ser contestada a virgindade das religiosas e de outras mulheres consagradas a Deus. Não sei se esse estado de vida é realmente admirado por uma fatia significativa da sociedade. Pode acontecer que o grande valor dessa opção de vida não seja passado para as pessoas nem as interpelem.

Há, entretanto, um outro fenômeno, na nossa sociedade, que contribui para dificultar o reconhecimento do valor do celibato consagrado: o alastrar do número de pessoas, homens e mulheres que vivem solteiros por motivos de independência pessoal ou dedicação a uma causa da qual se apaixonam e absorvem. O desinteresse pelo casamento pode também ser motivado pela falta de atração pelo outro sexo, por não acreditar no casamento, por alguma imaturidade ou pelo medo de assumir compromissos definitivos. Nessas motivações, vem a dificuldade crescente de estabelecer relações afetivas maduras e estáveis por parte de muitas pessoas.

Que diferença há entre a vida cristã no celibato e essas situações humanas, escolhidas ou involuntárias? A forma exterior de vida pode ser semelhante, mas são bem diferentes a motivação, o espírito e a finalidade.

Podemos distinguir três formas de viver o celibato por parte dos fiéis cristãos:

Quando o fiel cristão descobre, na sua situação de solteiro, um apelo de Deus e o aceita de livre vontade, a sua vida celibatária pode tornar-se vocação assumida e valorizada. A pessoa pode, então, como diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), passar a viver “a sua situação no espírito das bem-aventuranças, servindo a Deus e ao próximo de modo exemplar” (nº 1658). Essa forma de vida pode não ser definitiva, e a pessoa ser chamada ao matrimônio em qualquer idade.

Assumem, de forma definitiva, o celibato pelo Reino dos Céus os que consagram totalmente a sua vida a Deus e, por isso, renunciam ao casamento. A sua opção resulta da percepção do amor de Cristo e do seu chamamento, correspondidos positivamente numa relação crescente de amor para com Ele. Nesse caso, a motivação para o celibato é teológica e carismática, é uma graça divina que a pessoa acolheu e a qual correspondeu livremente com a entrega total de si mesma a Deus.

Outra forma é o celibato sacerdotal. Esse, em certo sentido, une as duas formas anteriores: por um lado, resulta da circunstância de a pessoa sentir a vocação para o ministério sagrado; por outro, corresponde a uma entrega de si mesma para o serviço do Reino de Deus. A motivação é acentuadamente apostólica, mas fundamentada em razões teológicas e carismáticas. Diz o Catecismo: os ministros sagrados “chamados a consagrarem-se totalmente ao Senhor e às suas coisas dão-se por inteiro a Deus e aos homens. O celibato é um sinal dessa vida nova, para cujo serviço o ministro da Igreja é consagrado; aceito de coração alegre, anuncia de modo radioso o Reino de Deus” (nº. 1579; cf. 1599).

Vocação ao amor e à comunhão

Como o matrimônio, também a vida celibatária é a concretização da vocação ao amor e à comunhão a que todos são chamados. Respondendo a tal vocação inscrita no seu próprio ser, a pessoa humana realiza a sua condição e dignidade de imagem e semelhança de Deus, que “é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor” (CIC, 2331). Não pode haver opção celibatária que não seja motivada pelo amor a Deus e ao próximo. Mesmo na primeira forma acima apontada, se a pessoa assume a sua condição como vontade de Deus, não pode deixar de orientar a sua vida pelo amor, abrindo-se a uma relação sempre mais profunda de comunhão e serviço.

Sendo resposta à vocação ao amor, a vida celibatária não significa menosprezo nem visão negativa da sexualidade. Esta, como afirma o Catecismo, “afeta todos os aspectos da pessoa humana, na unidade do seu corpo e da sua alma. Diz respeito, particularmente, à afetividade, à capacidade de amar e procriar, e, de um modo mais geral, à aptidão para criar laços de comunhão com outrem” (CIC, 2332). Escolhendo o celibato, a pessoa renuncia a uma forma de viver a sexualidade, para se entregar a Deus “com um coração indiviso” (CIC, 2349). Sublima o impulso e a energia sexual, dando-lhe outro significado e finalidade, para uma fecundidade espiritual. Como Cristo, também “o Celibatário” entrega o seu corpo, e todo o seu ser, por amor a Deus e em favor dos homens. Nesta doação total, por um amor oblativo, vive a castidade própria da sua condição.

Opção de amor

O celibato, como o matrimônio, implica uma vida de relação com os outros e não de solidão, é caminho para a maturidade e não privação. É expressão de uma doação de si mesmo livremente decidida e não resultado de qualquer frustração ou desengano na relação afetiva. Também implica uma certa vivência da sexualidade: não na união física, nem na autossatisfação narcisista ou na procura do prazer recíproco e na expressão de afeto mútuo, mas na sua sublimação espiritual mediante o domínio de si mesmo. Essa liberdade pessoal é condição para fazer de si uma doação total e definitiva a Deus, suscitada pela graça que d’Ele recebeu. O celibatário renuncia: “à intimidade física em ordem a uma mais perfeita disponibilidade”; “ao calor humano de uma família, para se tornar pai ou mãe da humanidade”; “à continuação da vida nos próprios filhos para uma vida que não tem fim, a vida de Deus nas pessoas” (E. Pepe).

A vida no celibato é uma opção de amor

A vida no celibato é, portanto, também uma opção de amor, mas orientada para Cristo. A pessoa doa-se a si mesma, não a uma pessoa de outro sexo com a qual estabeleceu vínculos de afeto, mas a Cristo no qual crê e pelo qual acredita ser amado. A sua entrega significa o assumir de uma vida que é renovada por Cristo e penetrada pela força do Espírito. A pessoa doa-se em todo o seu ser, também na dimensão física, mas o faz de forma diferente da que é vivida no matrimônio.

Há um texto muito sugestivo de Chiara Lubich que fala da castidade como o “dilatar o coração segundo a medida do coração de Jesus”. Fazendo assim, a pessoa empenha-se em amar cada irmão ‘como Jesus o ama’. A isso a autora chama a “castidade de Deus”. Escolhendo o celibato por ter sentido o grande amor de Cristo por ele, o fiel cristão esforça-se por viver o amor à maneira e segundo a medida de Cristo. Para ele, o amor a Cristo e aos irmãos constituem um mesmo e único amor. E trata-se sempre de amar por Jesus, por uma graça que vem d’Ele. É um amor a todos, universal, mas vivido na doação um a um, isto é, àquele que encontro, que passa pela minha vida. Está aqui a originalidade do amor na pessoa celibatária, que é diferente, portanto, do amor conjugal. Esse passa sempre pelas expressões humanas da sexualidade e da ternura.

Gerar a vida na dimensão espiritual

A doação livre de si mesma ao outro, fielmente, como Jesus ama, é o que torna o amor puro e casto, tanto na pessoa casada como na celibatária. Na primeira, as expressões físicas do amor não o degradam; na segunda, não precisa tolher o coração nem reprimir o amor, pois encontrará sempre expressões belas para amar o seu próximo, de forma concreta e sensível. No primeiro caso, o amor une sempre mais quem o vive e estreita os vínculos entre as pessoas. É vivido na doação e acolhimento mútuos. No celibatário, o amor não prende, mas liberta, é vivido na generosidade e no desapego, torna a pessoa dom para os outros sem esperar a compensação.

O amor do celibatário há de ser também fecundo, gerar vida não no sentido físico, mas na dimensão espiritual. Mediante o amor, o celibato gera a vida de Jesus nas almas que encontra, cria vínculos espirituais com as pessoas e pode mesmo exercer uma paternidade espiritual, fazendo com que tais pessoas se sintam regeneradas, recebendo uma nova vida: a de Deus. Desse modo, enriquece também a humanidade, contribui para o seu crescimento qualitativo e espiritual.

Quem é chamado ao celibato, consagrando a sua vida a Deus, faz a renúncia à vida de casado. Cumpre, quase à letra, a palavra de Jesus: “Qualquer de vós que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Renuncia à sexualidade genital, à relação de afeto com outra pessoa, à paternidade ou maternidade biológica, a constituir a sua família, desapega-se de tudo e de qualquer pessoa, para seguir Cristo mais de perto e viver uma comunhão especial com Ele. Mas dessa relação, no Espírito Santo, pelo amor, há de surgir uma nova família, a fraternidade cristã, que pode adquirir múltiplas formas e que se traduz na vida da comunidade cristã, na sua variedade. Se não gerar a comunidade dos filhos e filhas de Deus, o celibato fica infecundo. Sem a paternidade ou maternidade espiritual, o celibatário corre o risco de ficar estéril e viver a sensação de perda, de frustração, de estar incompleto, de não atingir a plenitude.

Liberdade pessoal

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). O celibatário, que assume a sua vocação livremente e a vive fielmente numa doação incondicional a Deus, no amor e no serviço generoso aos irmãos, experimenta realmente a felicidade e “vê”, verdadeiramente, Deus na sua vida. Deixou tudo pelo Senhor e nada lhe falta. Renunciou a constituir uma família e vive rodeado de irmãos e irmãos, de filhos e filhas, numa grande família espiritual reunida no amor de Cristo.

A sua vida é muito diferente da de muitos solteiros de moda, centrados em si mesmos e nos seus prazeres, gerando e gerindo a solidão, que produz um vazio de alma e tédio. Viver em celibato, conservando a castidade do coração, exige esforço para corresponder à graça da própria vocação. É preciso, antes de mais, cuidado em manter e consolidar a liberdade pessoal, para amar sempre mais, mantendo a vigilância sobre todas as situações que a podem pôr em causa. E, face aos limites e falhas, o celibatário há de abraçar a cruz e recomeçar no empenho pela fidelidade no amor. A relação com Deus, sempre mais profunda, cultivada na oração, e uma sadia comunhão fraterna ajudam muito a manter-se fiel na própria entrega de amor.

O celibato e o matrimônio são duas vocações diferentes, mas não contrapostas. Celibatários e casados, felizes na sua vocação, deverão constituir estímulo e ajuda uns aos outros, partilhando o próprio dom, reconhecendo e estimando o dos outros, numa comunhão eclesial operada pelo Espírito Santo.

Padre Jorge Manuel Faria Guarda

A apresentação do Senhor, a qual, celebramos com toda solenidade neste dia, é uma festa de antiga tradição. É considerada como memória conjunta do Filho e da Mãe. Ou seja, os protagonistas do dia são Jesus e Maria, ao lado do seu esposo José. Jesus cumpre a oblação de si mesmo ao Pai, que completa-se sobre a Cruz. Maria, juntamente com José, oferece o divino Filho com a dificuldade íntima de uma renúncia que inaugura a missão corredentora. Não se celebra um mistério alegre, e sim, uma antecipação da Páscoa, que se traduz em cada Eucaristia celebrada, na qual o pão e o sangue são transubstanciados como Corpo e Sangue de Cristo. “Entrará no seu templo o Senhor que buscais”, vai dizer o Profeta Malaquias, sobre esse misterioso evento profético, que é uma prodigiosa exultação de libertação, de universalidade, de esperança. Nesta dimensão coloca-se como um vazo aberto, esperando ser preenchido: a história da humanidade se parte, porque aparece apresentado o enviado de Deus. Jesus entra no templo e através de um rito purificatório, ainda um pequeno bebê, prova pela boca de Simeão e de Ana, que a salvação chegou. Apresentado no templo, Jesus é o consagrado do Pai e, por Ele, toda a humanidade também é consagrada ao Pai.

Mas, hoje, celebra-se o consagrado, aquele que em alguma forma de vida religiosa, consagra-se a Deus por inteiro. Para mostrar o elemento divino e o elemento humano da consagração dos seres humanos, usa-se uma dupla fórmula teológica: “consagração passiva” e “consagração ativa”. A consagração passiva é aquela na qual a pessoa humana é sujeito passivo, enquanto Deus é o sujeito agente: a pessoa humana é consagrada de Deus, ou seja, Deus consagra a pessoa humana. A consagração ativa é aquela onde o sujeito agente é a pessoa humana, ela que se consagra a Deus. A consagração é um mistério: é o resultado da iniciativa divina e da colaboração humana. A prioridade, do ponto de vista bíblico e teológico, corresponde sempre a Deus.

A consagração passiva tem sempre um caráter prioritário de Deus. Pode ser expressa com outras formas significativas: a pessoa humana é escolhida, eleita, separada, ungida, compreendida por Deus. Mais frequente é o uso de outras formas similares para a consagração ativa: a pessoa humana empenha-se totalmente, esvazia-se, doa-se, entrega-se, oferece-se, faz oblação de si mesma a Deus.

E quem é o consagrado?

O verdadeiro consagrado a Deus, deveria ser neste mundo um outro Cristo. Jesus se faz oblação/oferta total de si mesmo a Deus. Portanto, deve ser consciente de que, o verdadeiro consagrado, entra no templo do coração da pessoa humana, levando uma pessoa: Jesus Cristo, e esse “levar Jesus” é o caminho do Calvário, ou seja, vive o mistério pascoal todos os dias da sua vida. O consagrado não presta apenas um assistencialismo social. O verdadeiro consagrado a Deus deveria ser um outro Simeão; antes de tudo por estar sempre no templo, na presença de Deus, com súplicas e orações pelo povo santo de Deus, e também, por estar no templo, esperando e acolhendo Jesus, que vem nas pessoas que sofrem tantas coisas, sobretudo, os distantes de Deus.

O verdadeiro consagrado a Deus deveria ser uma outra Maria, Aquela que, oferecendo o Divino Filho ao mundo, sabe e professa verdadeiramente que Ele é o Senhor. O consagrado deveria fazer isso com a própria vida, não somente com as palavras soltas ao ar, que podem até ser belas, mas precisam ser coerentes com as atitudes. Portanto, o verdadeiro consagrado a Deus deveria ser neste mundo obscuro, o reflexo da Luz que é Jesus, pois, ele é um mensageiro de Deus. Contudo, isso só será possível, quando a tentação do fechamento do coração apagar-se.

Canção Nova

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muitos frutos” (João 12,24).

O grão precisa cair por terra, ele precisa morrer para florescer, para que dele venha o fruto de que precisamos. Somos um grão de trigo lançado neste mundo, e a própria vida vai nos mostrando que precisamos morrer em cada época, em cada etapa da nossa vida.

Aquela criança que eu era “morreu”, ficaram os valores de uma época maravilhosa na minha vida, mas não pude ficar preso em meu ser criança, não pude ficar brincando de carrinho o tempo inteiro. Eu precisei deixar morrer coisas que eu gostava. Depois, fui virando um adolescente, e aquele adolescente também foi morrendo para que esse homem pudesse nascer. Na idade em que estou, reconheço que preciso deixar morrer muitas coisas em mim, para que o homem novo floresça.

Há uma coisa que precisa morrer em nós em todas as etapas da nossa vida, desde o bebê que nasce até o idoso, precisamos deixar que morra em nós o egoísmo. Uma criança não pode ser egoísta, uma mãe não pode cultivar o egoísmo de uma criança, como o idoso também não pode ser egoísta.

O egoísmo vem por meio de diversas fantasias, fantasia do orgulho, da soberba, das vantagens próprias e das vaidades. Só nasce um homem novo quando permitimos que o homem velho morra a cada dia.

Não tenhamos medo de morrer para a inveja, para o ciúmes, não tenhamos medo de morrer para aquele sentimento ruim que tínhamos em relação àquela pessoa, que cresceu, apoderou-se de nós e fez de nós uma pessoa rabugenta, orgulhosa, amarga e azeda. É preciso morrer o azedume, a amargura, o ressentimento e a mágoa.

Só sou um homem novo quando deixo morrer o que é velho em mim. Que caia, todos os dias, por terra, esse grão de trigo, para que nasça um homem novo. Que você seja uma mulher nova a cada dia, não tenha medo de morrer para o seu orgulho, só tenha medo de morrer uma pessoa orgulhosa, porque no Reino dos Céus não tem lugar para o orgulho.

Que morra, a cada dia, esses sentimentos depravados do orgulho que nos cegam e entorpecem a nossa vista e a nossa mente. Que caia por terra e nasça sempre um homem novo a cada dia.

Deus abençoe você!

FONTE: Comshalom

O Espírito Santo quer ensiná-lo a orar

Uma das maiores honras, alegrias, grandezas e riquezas do ser humano é poder relacionar-se, é poder conversar com o Deus vivo.    Alguns consideram honra e privilégio poderem conversar com o presidente da república. Fotografam o acontecimento e o exibem até com vaidade. Uma das grandes alegrias de minha vida foi poder conversar por um breve minuto com o Papa João Paulo II. Ver as fotos renova as emoções daquele dia inesquecível.  Percebamos então a maravilha, a honra e a graça de podermos conversar, sempre que quisermos, com o Deus vivo: com o Pai celeste, com Jesus ressuscitado, com o Espírito Santo.

Orar é conversar com Deus

Toda conversa, toda fala com Deus é oração. Mas só é verdadeira oração aquela comunicação escrita e lida, ou espontânea, que seja uma  “conversa”, uma forma de comunicação com Deus. Só é verdadeira oração aquela prece que põe em contato o coração humano com o coração de Deus.

O Espírito Santo é mestre em ensinar, formar e educar para a melhor oração, aquela que seja comunicação com Deus.
Porque sabe quanto Deus ama o ser humano e quer perdoá-lo, libertá-lo, curá-lo, preenchê-lo de bens, santificá-lo, realizá-lo e fazê-lo feliz, o Espírito Santo quer levar o ser humano a escutar, a falar, a comunicar-se com o Deus vivo. É principalmente por meio desse  relacionamento que Deus realiza sua obra no coração humano.
Também porque sabe quanto o ser humano é pobre, frágil, necessitado, enfermo  e  pecador  que  o  Espírito  Santo  quer conduzi-lo a se relacionar com Deus. Ele sabe que só Deus tem todas as soluções e respostas para todos os problemas humanos.

Diante desses dois porquês, o Espírito Santo quer ensinar o ser humano a elevar-se para Deus, a comunicar-se com Deus, a orar a Deus, a ouvir e dar respostas a Deus. Numa palavra: o Espírito Santo quer ensiná-lo a orar.

O Espírito Santo leva à oração

 Basta que a pessoa conheça e acolha o Espírito Santo como amigo, para que Ele se manifeste e a induza à oração, à comunicação com Deus. O Espírito Santo pode até manifestar-se com um Dom infuso de oração. Isto é, pode conceder uma capacidade imediata de abrir o coração e a boca, e começar imediatamente a adorar, louvar, glorificar, bendizer, agradecer, ou pedir perdão a Deus. Mesmo que a pessoa nunca o tenha feito antes.

O Espírito quer ensinar todas as melhores formas de oração como: contemplação, meditação, oração de quietude, escuta, adoração, louvor, ação de graças, salmodia, intercessão, oração penitencial e outras. Pode até conceder o dom de orar numa linguagem ininteligível.
 Mais do que ensinar, Ele pode conceder um dom imediato, pelo qual o coração passa a orar por uma capacidade infusa.
“Espírito Santo, ensinai-me a orar! Ensinai-me a conversar com Deus! A ouvir o Deus vivo! Ensinai-me a me relacionar com o Deus da minha vida e do meu coração! Educai-me para a melhor comunicação com Deus! Dai-me o dom da oração! Sede meu mestre de oração. Amém!”

Pe. Alirio José Pedrini, SCJ

Foi pela Graça de Deus que Maria realizou a vontade de Deus para sua vida, e todos nós somos hoje beneficiados.

Uma única palavra resume as relações de Deus com a humanidade: Aliança. No centro do plano divino está a vontade de selar um pacto de amor com as criaturas. O deus absoluto e todo poderoso, o único, o Ser necessário e totalmente transcendente quer comunicar-se, deseja estabelecer um diálogo com o ser humano. Deus nos criou para nos transmitir seus bens. Não permanece longe, mas vem até nós para doar-se. A criação inteira é fruto dessa vontade de amor. Deus cria por amor e para amar. É o único motivo. Por isso cria o homem à sua imagem e semelhança, capaz de dialogar, de responder a seu convite para amar, para doar-se.

Toda a história da Bíblia é a história dessa aliança de amor. E essa história, para ser construída, requer sempre, a iniciativa de Deus e a resposta do homem. A Bíblia nos mostra a liança de Deus com Adão e Eva, com Noé, com Abraão, com Moisés, com todo o povo de Israel. Deus chama o homem com um amor gratuito, mas convoca-o a experimentar este amor e ser instrumento dele para que outros o experimentem também. A história da Salvação é toda tecida desta cooperação constante entre Deus e os homens.

O que assombra o ser humano é o fato de, ao mesmo tempo que experimentam a grandeza infinita de Deus, percebem que o Deus infinito quis necessitar de sua cooperação para a realização de seus planos de amor. Quis ser um com ele, e realizar uma obra de amor com a sua cooperação. Foi assim que Moisés se assombrou. Veja êxodo 3,1-12. E Moisés teve medo. Veja êxodo 4,1-18. Deus quer que o homem capte as suas demonstrações de amor e que assuma um compromisso com Ele. À sua ação deve se seguir uma reação do homem. Ele quer ser ouvido e seguido.

Desde que Deus criou o homem, este é convidado a viver esta aliança de amor, e ser cooperador dele. Se voltarmos ao Gn 1,28 veremos este convite feito ao primeiro homem e à primeira mulher. Mas se formos ao Gn 3,1-19 veremos que desde o princípio a história da humanidade está marcada pela infidelidade à esta aliança de amor. Veremos também que há um ser pervertido e perversor, um anjo decaído, o demônio, que vive a tentar o homem para que este quebre sua aliança com Deus.

Nossa Senhora jamais quebrou esta aliança, ao contrário, foi fiel ao convite de deus desde o princípio. Ontem vimos que a sua resposta ao convite para ser a Mãe do filho de Deus foi: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1,38). E este sim foi repetido durante toda a sua vida, nos momentos mais difíceis: quando teve de dar à luz num estábulo, quando teve que fugir para o Egito para que o menino não fosse morto pelo rei Herodes, e principalmente quando teve de vê-lo morrer numa Cruz, incompreendido por aqueles a quem amava, e por quem entregara toda a sua vida.

Um grande segredo de amor envolvia esta fidelidade de Maria na sua aliança com Deus, a sua cooperação incondicional com a Graça divina: Humildade e Confiança. Maria se fez sempre pequena serva. Não se arrogou de direitos, não desejou fazer valer uma pretensa justiça humana. Orgulhosos que somos, basta-nos muito pouco para nos julgarmos justos e merecedores de grandes favores de Deus e dos irmãos. Basta-nos um pouco de autoconfiança, muito pouco mesmo, para nos compararmos e considerarmos os que estão ao nosso lado como irresponsáveis, incompetentes e infiéis. Basta-nos que Deus nos peça um pouco de sacrifício ou de sofrimento, para tentarmos o mais rápido possível do nosso fardo jogando-os nas costas dos outros. Basta-nos a nossa vida, os nossos problemas, as nossas feridas, para não enxergarmos os problemas nem as feridas dos irmãos, e nos tornarmos terríveis carrascos deles. Maria foi o anti-orgulho. Não se arvorou de muita coisa por que Deus lhe chamou para ser mãe do Seu Filho. Se tivesse sentido orgulho, provavelmente teria chamado Isabel para servi-la, e não teria atravessado o deserto para servir sua prima. Teria se achado o centro, a digna de ser ajudada, e nem teria percebido que neste exato momento era a sua prima que necessitava de sua ajuda. Maria não era centrada em si, mas em Deus e na sua vontade.

Maria não vivia em torno de si mesma, e dos seus pequenos sonhos e planos, mas em torno de Deus e da sua vontade. Maria não tentava misturar o que era sua vontade, com a vontade de Deus, mas abandonava inteiramente sua vontade em prol de fazer a vontade de Deus. Por isto era capaz de captar as necessidades dos irmãos, e ao contrário de colocar fardos nos ombros dos outros, os tirava. Maria não se fez Rainha, por isto Deus a fez Rainha.

Maria confiou em Deus. Não colocou sua confiança em pessoas, em coisas, em títulos, em elogios, em confirmações que viessem dos outros. Maria simplesmente deu o seu ser para que nela se cumprisse a vontade de Deus: ” Faça-se em mim”, ela disse. Maria buscava veementemente a vontade de Deus para si, e sabia que esta vontade sempre exigiria dela abandonar seus próprios planos. Ela sabia que Deus tem a última palavra em tudo, e via em tudo a vontade de Deus, e não a dos homens. Tudo vinha de Deus. Nós somos idólatras de nós mesmos e dos nossos irmãos. Não confiamos suficientemente em Deus, e por isso sempre esperamos nas criaturas. E nos decepcionamos, porque elas não são deuses. Nós fabricamos ídolos, para que estejam ao redor de nós, a fim de nos servir quando precisamos. E nos decepcionamos. Não vamos para Deus, porque no fundo sabemos que ele não fará a nossa vontade, não nos fará de crianças, mas quer formar pessoas maduras, que escolham unicamente ele e a sua vontade. Quer que estejamos sós diante dele para dizer o nosso sim sem contar que seja outro e não nós a levar o momento sacrificado do nosso sim. Por isso nos tira as pessoas. Por isso muitas vezes nos faltou, nos falta, e nos faltarão a compreensão dos pais, dos amigos, dos irmãos mais queridos. Tudo para que esperemos só em Deus, e nos dirijamos aos irmãos sem interesse próprio algum, mas unicamente para servi-los, para amá-los gratuitamente. Assim fez Maria visitando Isabel.

E foi porque se desprendeu das criaturas, e disse seu sim com total humildade e confiança, que Maria recebeu de Deus a confirmação que lhe veio pelos lábios de Isabel: “Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”(Lc 1,42). Se escutássemos hoje de Deus estas palavras: “Bendito ou bendita és tu, benditas são os frutos das tuas obras, do teu sim a Deus”, seríamos curados num instante de toda auto-imagem negativa. Porém, para escutar estas palavras, é preciso antes escutar e dizer sim à vontade de Deus para nós. Somente no centro da vontade de Deus está a nossa cura, a nossa libertação. Somente clamando antes a Deus a graça de esquecermos de nós mesmos, das exigências e queixas que por tantos anos guardamos em relação aos nossos pais e irmãos, somente se estivermos dispostos a nos despojar da criança mimada e egoísta que há dentro de nós, é que poderemos experimentar a cura da nossa auto-imagem negativa, e enfim poderemos cantar como Maria: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador, porque olhou para seu pobre servo, ou sua pobre serva (Maria representa todas as criaturas na sua fragilidade humana). Por isto desde agora me proclamarão bem aventurado ou bem aventurada, todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração sobre os que o temem”(Lc 1,46-50).

Maria sempre experimentou, em todas as situações, a gratuidade do Seu amor por ela. E ela também era gratuita no seu amor a Deus. Fazer a vontade de Deus, ser fiel a Deus nunca foi para ela motivo de exigir que Deus a recompensasse com mimos. Não demos a vida a nós mesmos. Nada temos por nós mesmos. Tudo na nossa vida é um presente de Deus. A nossa vida é um grande presente de Deus. As alegrias, as tristezas, são um presente de Deus, às vezes misteriosos, mas que um dia compreenderemos. não é necessário compreender, mas aceitar com humildade e confiança que tudo é um presente de amor de Deus. Deus está por trás de todos os acontecimentos de nossa vida. Há coisas que nos sucederam que ele não gostaria que fosse assim, mas permitiu. A nossa liberdade, ou a de nossos irmãos foi mal usada, mas Ele é Deus, capaz de transformar todas as coisas porque nos ama. Isto não é desculpa para permanecermos crianças mimadas e insistentes em nossos planos egoístas, porque quando nos afastamos da vontade de Deus, embora ele continue nos amando, não conseguimos perceber isto, e podemos jogar fora a nossa união definitiva com Ele. Isso é muito sério. Podemos optar pelo inferno, e isto Ele não vai impedir. Embora Ele esteja trabalhando sempre pela nossa salvação, esta é uma opção nossa, que Ele não vai impedir.

Precisamos pedir a Deus a cura para nossas feridas, mas precisamos pedir a Deus acima de tudo a Sua Graça, que é o maior presente. Foi pela Graça de Deus que Maria realizou a vontade de Deus para sua vida, e todos nós somos hoje beneficiados. Precisamos louvar a Deus porque Maria o amou antes de si mesma e antes de todas as criaturas. Ela sempre escolheu Deus e a sua vontade. Maria não se sentia uma pessoa nula, péssima, mal amada. Ela não sofria de auto imagem negativa. os olhos dela nunca estiveram nela mesma ou em seus traumas, mas estavam postos na grande bondade de Deus. estava sempre a recordar suas maravilhas, e aquilo que de doloroso lhe sucedia era recebido no silêncio e na humildade, mas especialmente na confiança de que Deus é sempre amor. Peçamos hoje a Maria a Graça de sermos tirados do centro de nós mesmos, e assim curados na nossa auto imagem. peçamos a Maria, que ela “arranque” do coração de Deus a Graça de termos unicamente Deus como centro de nossas vidas. Que todas as dores, as mágoas, as feridas, os sentimentos de incapacidade, de ser desprezado, não amado, tudo isto seja colocado no coração de Maria, que está sempre unido ao coração de Jesus e do Pai. E que hoje, o fogo do espírito santo possa queimar tudo isto e nos dar um auto imagem nova, límpida, resplandescente, e possamos dizer com ela: “Realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (Lc 1,49).

Os 30 “quês” de uma pessoa madura na fé

Estamos num mundo muito pluralista, por isso precisamos nos tornar verdadeiros especialistas em matéria de fé e conversão. Se não for dessa forma, os cristãos “mais ou menos” não vão resistir. Daí, então, a necessidade de um amadurecimento real e concreto na fé.

Em comunhão com o evangelização, é preciso levar os outros ao encontro pessoal com Jesus, pois só assim vamos nos tornando maduros na fé, que nada mais é do que sermos crianças nas mãos de Deus. Livres da “maturidade” somente humana que questiona tudo, vamos a caminho de sermos “verdadeiros cristãos com coluna vertebral”, como expressou João Paulo II.

Textos bases para um aprofundamento e um exame de consciência a respeito da nossa fé: 1 Cor 3,1-9; Heb 5,12-14; Ef 4,11-15.

Como ser uma pessoa madura na fé?

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura com Deus:

1 – Escolhe inteiramente Deus;
2 – Sabe discernir a vontade d’Ele;
3 – Faz a vontade d’Ele até o fim;
4 – Vive o Evangelho sem questionamentos;
5 – É livre no Senhor;
6 – Sabe obedecer;
7 – Sabe reconhecer os sinais dos tempos;
8 – Vive uma individualidade, não um individualismo;
9 – É capaz de viver a alteridade;
10 – Vive uma fé com obras.

Amor e compaixão ao próximo

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura com o próximo:

1 – Pergunta sem duvidar do próximo;
2 – Vive a fé com o próximo;
3 – Consegue adaptar-se ao diferente;
4 – Alegra-se com o crescimento do próximo;
5 – Reconhece o outro, por este ser também um filho de Deus;
6 – Sabe o seu papel na sociedade;
7 – Contagia o próximo com a santidade;
8 – Tem como única competição amar mais o próximo;
9 – Ama com caridade;
10 – É original na fé e na opinião.

Ser fiel consigo

A pessoa que tem uma fé vivida de forma madura consigo:

1 – Tem autonomia na fé;
2 – É perseverante mesmo no sofrimento;
3 – Engaja-se, compromete-se;
4 – É especialista no que faz;
5 – É como “para-raio” na intercessão;
6 – Conhece a própria verdade;
7 – Assume as experiências vividas;
8 – Sabe receber elogios e também críticas;
9 – Sabe falar e também escutar;
10 – Deixa-se trabalhar no temperamento pelo Espírito de Deus.

Canão Nova

A confiança não nos decepcionará quando colhermos os frutos há tanto esperados
“Vós, que temeis ao Senhor, louvai-o; porque Ele não rejeitou nem desprezou a miséria do infeliz, nem dele desviou a sua face, mas o ouviu quando lhe suplicava.” (Sl 21, 24a.25).

Sempre tive dificuldades em esperar. Nas minhas orações, entregava as situações nas mãos de Deus, mas não descansava; mantinha a cabeça maquinando em busca de solução. Era e, por vezes, ainda é muito duro, para mim, simplesmente parar e esperar, acreditando que a situação receberá uma resposta da parte de Deus. Isso me causava um sentimento de desconforto, insegurança, irresponsabilidade. Então, descobri que há situações em que esse esforço é totalmente desnecessário, inclusive, prejudicial. Há um caminho muito melhor.

Às vezes, tudo o que Deus quer de nós é que esperemos, numa atitude de profunda confiança e prontidão, para obedecê-Lo.

Percebi, nessas horas, que todas as manobras que eu fazia interferiam na ação de Deus e a atrapalhavam. Como é difícil largar depois de entregar! Mas se não largarmos, Deus largará.

Já imaginou um carro com dois volantes e dois motoristas? Não seria um carro, mas um desastre ambulante. Deus sabe que na direção das coisas cabe apenas uma pessoa, ou é Ele ou somos nós; é a carne ou o Espírito. Por isso, quando tomamos o combate em nossas mãos e lutamos por nossas próprias forças, Deus se sujeita a assistir a nossa luta.

Não é má vontade da parte d’Ele. O respeito a nossa liberdade O faz esperar.

Tudo nesta vida está sujeito a um tempo
Quando o ferro é dobrado abruptamente, ele se parte; para curvá-lo é preciso tempo, tempo de prepará-lo, de levá-lo ao fogo. Quando Deus pede um tempo, não o faz por Si próprio, mas por nossa causa, em virtude da nossa natureza.

Em geral, as coisas mais belas e complexas levaram tempo para serem construídas. Custa tempo construir um edifício. Muitos quadros demoraram anos para serem pintados. Exigimos, no entanto, que Deus faça Seus milagres nos segundos da nossa conveniência.

Leva tempo converter um coração! Leva tempo aproximar duas pessoas que se magoaram. É preciso tempo para curar a doença e fechar a ferida. Tudo, nesta nossa vida, está sujeito a um tempo. Por isso, com a oração se planta a semente, pela oração cultiva-se a planta e, a confiança não nos decepcionará quando colhermos os frutos há tanto esperados.

Se você tem rezado, confie! Sua oração plantou a semente. Oculta, ela germina no coração de Deus, por isso, continue cultivando-a, pois o Senhor precisa apenas de um pouco mais de tempo para entregar-lhe a resposta.

Canção Nova

Nossa vida de fé também precisa passar por todo o processo de condicionamento espiritual
Em um jogo de futebol, o escanteio é utilizado para reiniciar uma partida. Durante um jogo de futebol, muitos são os momentos em que é preciso reiniciar a partida. E, em nossa vida espiritual? Quando é preciso reiniciar a caminhada? Quando é preciso recomeçar? Quando precisamos romper com o pecado?
No jogo da vida, buscamos a vitória sobre o pecado. Corremos, suamos, driblamos o adversário e queremos, junto com nossos irmãos, ser os campeões no time da santidade. Mas, nem sempre conseguimos alcançar o troféu da vida sobre a morte. Muitas vezes, encontramo-nos despreparados. Falta-nos um treinamento mais intensivo para que possamos entrar em campo e vencer as forças do mal. Todo jogador passa por esse processo: antes de entrar em campo para uma partida de futebol, ele passa por um rigoroso treinamento: estuda as táticas do adversário, ensaia jogadas e busca um condicionamento físico que lhe seja favorável em campo. Sem esse treinamento rigoroso, a vitória é praticamente impossível de ser alcançada.

Algumas regras para vencer
Nossa vida de fé também precisa passar por todo o processo de condicionamento espiritual para colocarmos o pecado de escanteio e reiniciarmos uma nova jogada a favor da santidade. Para que o nosso desempenho no campo da vida seja favorável, algumas regras para vencer são fundamentais:

1) Vida de oração: drible a preguiça com sua força de vontade e disciplina, invista em momentos diários de oração. Faça deles sua vitória contra o desânimo. Seja o artilheiro do campeonato da vida e marque muitos gols contra o pecado!

2) Cultive a paciência: se você errou a jogada ou algo lhe roubou a paz, se marcou um gol a favor do pecado, não desanime! Vença o jogo pela luta da santidade com fé! Seja persistente ao buscar a vitória e ganhe de virada. Olhe sempre para o objetivo principal de sua vida em campo. Sua meta é ser santo, mas tenha a plena certeza de que para sê-lo é, antes, preciso aprender a ser humano. Por isso mesmo, faça um gol de placa contra a falta de paciência com si mesmo.

3) Tenha amigos que busquem os mesmos objetivos que você. A união faz a força, e os amigos verdadeiros nos levam para os caminhos de Deus. No campo da vida, somente será vitorioso o time que aprender a partilhar os lances e jogar em união. Junte-se aos seus amigos e faça uma barreira contra o pecado. Sozinhos, nada conseguimos; mas quando partilhamos as dificuldades, nenhuma jogada do pecado consegue ultrapassar nossas barreiras.

4) Aproveite bem o seu tempo: evite fazer faltas, pois muitas delas podem ocasionar um pênalti. Assim, você fica mais propenso a levar um gol sem necessidade! Jogue com sabedoria e confiança, mas sem ser agressivo. Faça do tempo seu amigo para alcançar a vitória. Quem vence um jogo somente com faltas, arrisca sua vida; e suas jogadas contra o pecado não têm força, ao contrário, alimentam-no ainda mais.

5) Coloque o pecado de escanteio: reinicie uma nova partida no campo da fé sempre que precisar. No jogo da santidade contra o pecado, sempre temos a oportunidade de recomeçar. Não há necessidade de amarelar diante do adversário. Seja o artilheiro do amor, o goleiro da esperança e o técnico da sabedoria na vitória contra o pecado!

Canção Nova

O amor de Deus supera todo e qualquer mal

Deus é tão grandiosamente mais poderoso do que o maligno que pode, até mesmo, reverter as consequências dos males que satanás semeia neste mundo, ou as fatalidades decorrentes de um universo sujeito à imperfeição, em um proveito e/ou crescimento para a pessoa ou para a humanidade. É a Palavra que nos garante isso como certeza de fé, um princípio eterno: “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8, 28).

O Altíssimo está sempre à nossa frente com Seu amor, nos instruindo, dando suporte e conduzindo-nos aos Seus desígnios. Nós é que, no tempo e no espaço do agora, podemos optar pelo bem que vem de Deus ou pelo mal que é próprio do maligno. Quando escolhemos o mal, esse gera consequências que nos tornarão pessoas infelizes. Sabemos que uma árvore boa não pode dar frutos ruins e vice-versa (cf. Lc 6,43). Assim mesmo, o céu pode mover-se ao nosso favor se nos arrependermos e não continuarmos a investir no lado das sombras.

Do Senhor não provém nenhum mal

“Deus é inacessível ao mal” (cf. Tg 1,13); e Ele tem um bom propósito a respeito de cada criatura. “Quando Deus criou suas obras, desde o princípio, quando as formou, distinguiu suas partes. Ele determinou para sempre suas tarefas e o domínio de cada uma em suas gerações” (Eclo 16, 26-27). Foi a livre escolha do homem que introduziu, no universo, um caráter perecível à natureza dos elementos e rendeu o cosmos ao poder do diabo.

O Senhor é infinitamente bom e todas as suas obras são boas. Todavia, ninguém escapa da experiência do sofrimento, dos males existentes na natureza. Esses males estão ligados às limitações próprias das criaturas (cf. Catecismo da Igreja Católica nº. 385). Não importa o quanto sofremos ou interpretamos um fato desagradável somente como prejuízo, pois, de alguma forma, o Senhor pode extrair algum bem.

Um pouco da história de José, filho de Jacó

Os filhos de Jacó, alimentavam a inveja contra um de seus irmãos, José. Então, venderam-no como escravo para mercadores ismaelitas (cf. Gn 37). Em decorrência disso, José foi parar no Egito. Sofreu prisões e injustiças, mas essas acabaram sendo os artifícios que tornaram possível o seu encontro com o faraó. Ele interpretou os sonhos desse governante e lhe deu a sugestão de estocar abundantes grãos das primeiras sete colheitas para o tempo de fome que chegaria.

Assim, José, obtém do soberano do país o reconhecimento de seus dons e se torna o Primeiro Ministro, ou seja, o homem mais poderoso do país, somente subordinado ao faraó. Ele salva a população local e toda a terra da fome.

Algum tempo depois, os próprios irmãos de José viajaram para o Egito em busca de alimentos. Foi, então, que se depararam com aquele a quem cometeram grande injustiça. Entretanto, José deixa exalar de si não a mágoa de ter experimentado o mal que seus irmãos lhe fizeram, mas aponta a bondade com que o Senhor reverteu aquela penúria. “Mas agora não vos entristeçais, nem tenhais remorsos de me ter vendido para ser conduzido aqui. É para vos conservar a vida que Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45, 5).

O arrependimento e o retorno à graça de Deus

Também das nossas falhas, se nos arrependermos de todo o coração, o Senhor pode nos purificar por meio do sofrimento, transformando-o em benefício. Davi pecou ao tomar a mulher de Urias como sua (cf. II Sm 11), mas se arrependeu (cf. II Sm 12, 13), e sofreu as consequências do seu pecado (cf. II Sm 12, 15ss); contudo, foi de Betsabéia que nasceu seu filho Salomão, o qual herdou o trono de seu pai, Davi (cf. I Rs 1, 32ss).

Tudo isso não significa que podemos nos enveredar pelos caminhos do mal, confiando que, posteriormente, o Senhor irá nos perdoar e ainda nos retribuir com um bem, e que não precisamos ter medo do mal e da injúrias sofridas. Nem ficarmos presos à concepção de que os erros do passado, em que talvez nem tínhamos conhecimento do certo e errado, será motivo de penalidades enviadas pelo Senhor.

No momento do sofrimento, realmente não é fácil acreditar que o Pai irá operar algum bem, mas devemos acreditar e manter viva a chama da esperança, até porque, a maioria de nós já experimentou que de lamentos do passado, podemos pelo menos, alcançar o crescimento pessoal.

Tomemos para a nossa vida o exemplo do Cristo, que padeceu pelas nossas faltas (cf. Is 55). Ele que não era merecedor, foi esmagado pelos nossos pecados, contudo, do pior crime que a humanidade quis cometer: matar Deus. Jesus nos salvou e Ressuscitou, tirando-nos do poder da morte, nos trouxe a melhor ‘Boa Nova’ de todos os tempos – a salvação.

 

Canção Nova

A fé é algo além de um sentimento ou uma certeza

Ainda tem sentido a fé, em um mundo onde a ciência ultrapassou horizontes que, há pouco tempo, eram impensáveis? Pode parecer que esse tipo de questionamento só possa surgir em uma pessoa incrédula, porém isso não é verdade. Atualmente, torna-se cada vez mais necessária uma “renovada educação para a fé, que inclua, sem dúvida, um conhecimento das suas verdades e dos acontecimentos da salvação; sobretudo, que nasça de um encontro verdadeiro com Deus em Jesus Cristo”¹.

Não obstante a grandeza das descobertas da ciência, hoje o homem não parece ter se tornado verdadeiramente mais livre, mais humano. Papa emérito Bento XVI nos ensina: “Temos necessidade não só do pão material, mas precisamos de amor, de significado e esperança, de um terreno sólido que nos ajude a ter um sentido autêntico também na crise, nas obscuridades, nas dificuldades e nos problemas cotidianos”.

A fé, segundo ele, “oferece-nos precisamente isso: Um entregar-se confiante a um «Tu», que é Deus, o qual me confere uma certeza diversa, mas não menos sólida do que aquela que me deriva do cálculo exato ou da ciência. A fé não é simples assentimento intelectual do homem a verdades particulares sobre Deus; é um gesto mediante o qual me confio livremente a um Deus que é Pai e que me ama; é adesão a um «Tu» que me dá esperança e confiança”.

A fé é uma experiência

A fé é algo além de um sentimento ou uma certeza; é uma experiência. Quando olhamos para Deus, podemos nos deparar com um “deus” tradicional, um ser poderoso, no qual aprendemos a crer, porque, normalmente, a maioria das pessoas ao nosso redor acreditam ou, podemos realmente olhar para o Senhor e saber que Ele existe não porque contam, mas porque o conhecemos e fazemos uma experiência pessoal com Ele.

Não que a tradição familiar e cultural da fé sejam algo ruim, mas essa “educação para a fé” deve nos direcionar também a um caminho que nos levará a uma profunda e verdadeira experiência com esse “Tu” que é Deus. Dessa relação, dia a dia, nasce a verdadeira conversão do coração e da mente.

Fé: caminho seguro para uma verdadeira conversão

Essa fé que a Igreja professa é o caminho seguro para uma verdadeira conversão de vida. O Papa João Paulo I, em uma das quatro catequeses que fez durante seu curto papado, definiu: “Eis o que é a fé: entregarmo-nos a Deus, mas transformando a própria vida”. É esse o caminho que Deus quer trilhar conosco: uma relação pessoal e real com Ele, e uma transformação verdadeira das nossas vidas. Não há sincera experiência de fé se não houver uma concreta mudança na vida pessoal.

Uma experiência de fé que não atinge a minha forma de agir, pensar, sentir, relacionar-se, não pode ser considerada fé em Cristo. Fé é relacionar-se, e o relacionamento com Jesus atinge toda a nossa forma de estar e ser no mundo. A começar do nosso caráter, não existe relação com Deus que não nos leve a uma busca sincera para segui-lo e imitá-lo. Por isso, o próprio Jesus afirmou que “uma árvore se conhece pelo fruto” (Lc 6, 44). Um cristão é conhecido pelo amor.

Desconheceis que a bondade de Deus o convida à conversão?

Essa educação para a fé é um trajeto feito no pessoal. Não dá para pensar que Deus me ama como sou, e por isso não preciso mudar. É justamente esse amor de Deus, real e concreto, que nos impulsiona e no incomoda a não continuarmos como somos, mas querer ser melhor para Deus e para o outro.

Em sua catequese sobre a fé, o João Paulo I pediu que cada um de nós, toda a Igreja, rezasse a oração que ele costumava rezar: “Senhor, aceita-me como sou, com os meus defeitos, com as minhas faltas, mas faz que me torne como tu desejas”.

Unidos pela oração.

Canção Nova