Todos nós precisamos do nosso tempo com Deus. É uma necessidade vital, indispensável e inadiável. Quando rezamos o Pai-Nosso, não dizemos “o pão nosso da semana me dai hoje”, porque a oração deve ser o alimento de cada dia, ela é o “pão nosso de cada dia”. Portanto, deve ser vivida diariamente.

Então, precisamos de um tempo diário, certo? (imagino você respondendo: certo, beleza!) Mas como definir esse tempo? Em qual momento do dia devo parar e viver a oração pessoal e meu estudo da Palavra?

Primeira coisa é parar de dizer mentalmente ou verbalmente: “estou sem tempo”. Se Deus inventou um dia com 24 horas, é porque dá sim para fazermos tudo, inclusive estar com Ele nas 24 horas, dedicando momentos desse dia para encontros profundos e pessoais. VOCÊ TEM TEMPO! E Ele está ali escondido onde você mais realiza coisas supérfluas ou desnecessárias para seu hoje.

Organizando o tempo

Coloque num papel tudo o que você faz durante 24 horas (incluindo o tempão no celular). Saia riscando o que não é preciso tomar seu tempo hoje, e você verá que há muito mais espaço para Deus do que você imagina.

Definir o horário da sua oração diária é uma decisão importante e que vai dar formato a sua rotina – tendo visto os espaços disponíveis do seu dia, defina seu horário de oração. Alguns dedicam os momentos – oração e estudo – de formas separadas, se essa for sua realidade fique atento.

Quando você definir seu horário, seu cérebro levará um tempo para aceitar o tempo escolhido, como parte definitiva do seu dia a dia. No começo, será difícil rezar todos os dias no mesmo horário. Haverá semanas em que você irá parar, mas a falta de “costume” pode gerar “bloqueios” e nesses instantes devemos suplicar doses dobradas da Graça de Deus e da presença do Espírito, para que não sejamos vencidos pelo desconforto rítmico do nosso cérebro.

Seu cérebro vai precisar da sua constância, OK?

Ah, não mude o horário nas primeiras semanas em que não der certo. Espere. Tente. Passe um tempo naquele instante e analise seu comportamento. O horário ideal é aquele em que dou tudo para Deus, observe sua entrega. Escolha pelo momento do dia em que você esteja cheio de gás. As primícias da manhã é nosso ideal, acordamos dispostos, recarregados. Existem casos e casos em que rezar pela manhã não é possível, mas, se você tem condições, troque o colchão pela cadeira; o celular na cama pela Bíblia na mesa e (ação) oração!

Também é importante analisar o que antecede seu momento de oração – se você tiver alguma atividade antes do seu horário, analise se é algo que lhe roube a paciência e a concentração. Não adianta chegar à oração “uma pilha de nervos”, porque acabamos descontando tudo em Deus, entende? 

Hal Erold, no seu livro Milagre da Manhã, diz que seu primeiro pensamento antes de dormir, motivará sua primeira ação ao acordar. Então, se você for tentar rezar de manhã, tente dormir já #MOTIVADERRÍMO para na manhã seguinte viver seu momento de oração.

Seja paciente, persistente e coloque-se como um aprendiz de si mesmo. Acima de tudo, saiba que é um “costume” conduzido pela Graça e não somente pelo seu esforço humano. A vida de oração se constrói na vida, não em um dia ou uma semana. Teremos a vida para exercer esse caminho de aproximação que nos formará e nos preparará para contemplar a Face de Cristo.


Aproveite o seu tempo para viver sua fé e Deus lhe ajudará

“Quando completou-se o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebermos a dignidade de filhos. E a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: “‘Abá, Pai!’” (Gl 4,4-6). O tempo do relógio e dos calendários não são suficientes para entender a vida humana. Faz-se necessário ver o tempo, do ponto de vista Daquele que é  o Senhor do tempo e que o supera; para Ele “um dia é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pd 3,8). De fato, diante de Deus afirmamos com clareza: “Nossos anos de vida são setenta, oitenta para os mais robustos, mas pela maior parte são fadiga e aborrecimento, passam logo e nós voamos. Quem conhece o ímpeto da tua ira, quem teme a violência do teu furor? Ensina-nos a contar nossos dias e assim teremos um coração sábio” (Sl 89, 10-12). A plenitude do tempo chegou quando Deus quis!

Como fazer o encontro do nosso tempo, com o tempo de Deus? Como fazer para que os dias do ano que termina, não voem como penas ao vento e se percam, e sim, tenham sentido profundo e sejam incorporados como tesouro em nossa história? A Igreja aprendeu, no decorrer dos tempos, a contar os dias a partir de seu Senhor, para não parar nas fadigas ou no ócio eventual que, acabam até por irritar nossa frágil natureza. É que para os homens e mulheres de fé, o tempo que corre, chama-se história de salvação e, não minutos aproveitados ou desperdiçados. “Tudo coopera para o bem dos que amam a Deus” (Cf. Rm 8,28).

Qual é a chave do tempo?

A chave do tempo está em: professar a fé e declarar o amor a Deus. Então, tudo adquire seu pleno sentido, porque a primeira escolha é amar a Deus, antes de optar pela alegria ou pela dor, pelo riso ou pelas lágrimas. Trata-se de buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas serão dadas por acréscimo. Por isso, a pessoa de fé, entende que não há motivos para se preocupar com o dia de amanhã, pois esse terá sua própria preocupação! “A cada dia basta o Seu cuidado” (Cf. Mt 6,33-34).

Com o dia de hoje há que se “ocupar”, viver bem cada momento presente, transformando-o em oportunidade para amar a Deus e ao próximo. Se, com tal afirmação, alguém possa parecer simplista, apenas aceitemos o desafio de experimenta-la, e será possível ver os frutos.

Nesta perspectiva, o que fazer do passado, cuja sombra tantas vezes aparece como fantasma que assusta? Primeiro, uma gratidão imensa pelos dons recebidos, pelo bem que a pessoa foi capaz de fazer, um olhar positivo sobre todas as pessoas e acontecimentos. Depois, uma decisão carregada de sabedoria é experimentar o perdão. Perdoar as pessoas que nos ofenderam, perdoar a nós mesmos pelas falhas, faltas e pecados e, mais ainda, recorrer à fonte do perdão que é a misericórdia infinita de Deus. Continua válida e profundamente curativa a proposta da Igreja, que se chama “Sacramento da Reconciliação”. Uma boa e sincera confissão, diante daquele tribunal cuja sentença é sempre a absolvição, é um santo remédio, e quantas são as pessoas que necessitam redescobri-lo.

Ainda à mesma luz, nenhum ano é perdido e jogado no lixo. Ao invés de tentar esquecer os revezes da sociedade ou da política, ou, quem sabe, as derrotas pessoais em todos os campos, que tal integrar tudo, aproveitando para o bem as lições deixadas pela vida?

Há algo a fazer com o futuro, que muitas vezes repetimos pertencer a Deus e, é verdade! Insegurança é pretender adivinhá-lo, ou antecipá-lo, “morrendo de véspera”. Serenidade é deixar que ele aconteça. Inteligência é aprender a confiar na Providência de Deus e equilibrar os passos do dia a dia com previdência e equilíbrio. Maturidade é estarmos prontos a fazer o que depender de nós, superando a ansiedade que nos tira a paz.

Faça o seu ano diferente

Entretanto, o que temos à disposição é o presente, e o futuro será uma sucessão de momentos presentes bem vividos! O dia 1º de janeiro, Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, é Dia Mundial da Paz. Na belíssima oração da “Ave Maria”, cujas palavras brotam tão espontaneamente de nosso coração, dizemos assim: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém”. Quanta sabedoria e piedade em tão poucas palavras, repetidas por nós desde a mais tenra infância. Só temos certeza de dois momentos! O de nossa morte, quando deveremos apresentar-nos diante de Deus, em nossa páscoa pessoal, e esperamos que seja de grande alegria, e o “agora”. Sim, na “Ave Maria” rezamos o mistério do tempo, comprometendo-nos a viver intensamente este agora, repleto de possibilidades, desafios e alegrias, acolhendo com prontidão a tarefa cotidiana de preencher com amor, todas as nossas decisões e os passos a serem dados.

Para o ano que está para começar, é bom fazer o propósito de preencher com amor o relacionamento com as pessoas, e esse é o melhor meio para sermos felizes. Falando da acolhida aos migrantes, o Papa Francisco propõe quatro atitudes, a serem praticadas em relação a eles, e nós os temos bem perto (bastando pensar nas levas de indígenas, vindos de outros países, que aportam em nossa região norte). O Papa Francisco  indica com a luz da Palavra de Deus, as práticas que servirão para iluminar, a partir dos irmãos mais pobres, todo o relacionamento humano, no tempo que nos é dado: “Acolher”, não repelir as pessoas para lugares onde as aguardam perseguições e violências: “Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos” (Hb 13,2). “Proteger” lembra o dever de reconhecer e tutelar a dignidade inviolável dos que fogem dum perigo real em busca de asilo e segurança e impedir a sua exploração: “O Senhor protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva” (Sl 146,9). “Promover” é apoiar o desenvolvimento humano integral dos que chegam de fora, pois Deus “ama o estrangeiro e dá-lhe pão e vestuário” (Dt 10,18-19). “Integrar” é permitir que esses irmãos e irmãs participem na vida da sociedade que os acolhe, para que de todos nós se possa dizer: “Portanto, já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus” (Ef 2,19). Vale como “programação”, para viver o mistério do tempo neste ano novo, à luz da Palavra de Deus e da Palavra da Igreja!

Canção Nova

O mais grave dos pecados contra a fé é a infidelidade

Vimos, no artigo anterior, que a Virtude da Fé é chamada de Teologal por se orientar a Deus e ser dado por Ele para o ser humano. Embora essa virtude seja dada em semente por Deus, é dever do homem permanecer unido a Deus e trabalhar pelo seu crescimento. Desse modo, a fé cresce do perfeito para o imperfeito, ou seja, pelo estímulo de Deus para o ser humano e do imperfeito para o perfeito, isto é, do esforço do homem para chegar a Deus. No entanto, embora Deus dê a fé gratuitamente, o ser humano pode negá-la em si mesmo e, até mesmo, destruí-la. Como aquilo que se opõe a Deus é o pecado, quais são os pecados que destroem a fé?

O mais grave pecado contra a fé é a infidelidade (ST II-II Q10A3). Por ele o homem voluntariamente resiste a fé, não querendo recebê-la, crescer nela ou a distorce. Assim, aquele que procura não conhecer melhor a fé professada pela Igreja, com medo de ser cobrado por esse conhecimento em alusão à palavra “a quem muito for dado, muito será cobrado” (Lc 12,48), peca contra a fé. Essa infidelidade é uma cegueira voluntária, que corrompe e destrói a virtude da fé. A fé deve ser estimulada a crescer e não ser combatida ou cerceada.

Heresia e a apostasia

Dentre os modos do pecado da infidelidade estão a heresia e a apostasia. A heresia, que vem do grego “eleição”, tem esse nome porque o herege escolhe ou elege a doutrina que julga ser melhor ou mais adequada para si mesmo. Nega-se, assim, que existe uma doutrina verdadeira que deve ser seguida e defendida, não importando a opinião pessoal que tem-se sobre ela. A partir do momento que se arbitra sobre o que se deve ou se quer crer, escolhendo no que acreditar e no que não acreditar da fé ensinada pela Igreja, adota-se a postura do herege e se destrói a fé. Aquele que já ouviu a expressão: “- Sou católico, mas não concordo com isso e aquilo que a Igreja diz”, conheceu um herege de perto. Pode ser um herege que não entrará para os livros de história mas, fatalmente, destruirá a própria fé (e de quem der ouvidos às suas “opiniões” ou “eleições”).

A apostasia, por outro lado, é uma forma de infidelidade de quem se afasta completamente da fé em Deus (ST II-II Q12A1). Aquele que teve uma formação católica, foi introduzido nos sacramentos e abandona a Igreja e a fé, é um apóstata. A consequência da apostasia é a morte da fé de um modo mais rápido e eficaz do que a heresia, pois, essa ainda procura conservar alguma coisa da fé, embora a distorça. O apóstata, no entanto, tem como objetivo (e consegue) destruir a própria fé.

Como a fé exige um aplicar-se, conscientemente, no aprendizado das coisas de Deus para se desenvolver, a cegueira ou embotamento da mente é outro vício que destrói a fé. Ou seja, aquele que se aplica a entender, usufruir e aperfeiçoar-se nas coisas terrestres ou materiais, deixando de lado o aprendizado da fé, comete um erro que mata a sua fé. Afinal, acumular títulos acadêmicos após décadas de estudo e permanecer no “jardim de infância” da fé é uma distorção intelectual extraordinária. O conhecimento e aprofundamento em relação à fé tem de caminhar no mesmo tom e qualidade dos outros aprendizados intelectuais. Quando, por negligência, deixa-se de se aprender e aprofundar as verdades de fé, cria-se o pecado da cegueira intelectual que faz a fé ficar débil até morrer.

Entre os inúmeros dons recebidos de Deus, a inteligência é um dos maiores

Por outro lado, o embotamento da mente, causado por uma falta de vivência intelectual em qualquer área, não é menos danoso ou menos problemático. Se aquele que desenvolve toda sua capacidade intelectual em várias áreas, menos no conhecimento da fé, peca; aquele que não desenvolve, também, peca. Entre os inúmeros dons recebidos de Deus, a inteligência é um dos maiores. Ela nos dá a capacidade de ver e compreender o mundo, além de receber e entender a revelação de Deus que contém as verdades de fé. Aquele que embota (debilita, insensibiliza) a sua própria inteligência, não só destrói suas capacidades de viver melhor em sociedade como, também, se priva de aprender a revelação de Deus.

Procurando corrigir-se desses erros voluntários, isto é, os pecados; e dos involuntários, que são os vícios adquiridos por maus hábitos, conseguimos preservar a fé dada, gratuitamente, por Deus. Mas, como se pode aumentar a nossa fé? No próximo artigo nos deteremos nos passos que podemos dar, conscientemente, para aumentar a nossa virtude da fé.

Fonte: Canção Nova

Meus imensos desejos me eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo ver se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da Primeira Carta aos Coríntios. No primeiro destes, li que todos não podem ser ao mesmo tempo apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e dar-me a paz.

Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1 Cor 12,31). O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem a caridade, e esta caridade é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso.

Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade deu-me o eixo de minha vocação. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor.

Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno.

Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará.

Fonte: Comshalom.org

Na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, na França, em uma tarde de sábado, no dia 27 de novembro de 1830, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.

Santa Catarina Labouré relatou assim sua visão: “A Virgem Santíssima baixou para mim os olhos e me disse no íntimo de meu coração: ‘Este globo que vês representa o mundo inteiro (…) e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem.’ Desapareceu, então, o globo que tinha nas mãos e, como se estas não pudessem já com o peso das graças, inclinaram-se para a terra em atitude amorosa. Formou-se em volta da Santíssima Virgem um quadro oval, no qual em letras de ouro se liam estas palavras que cercavam a mesma Senhora: Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Ouvi, então, uma voz que me dizia: ‘Faça cunhar uma medalha por este modelo; todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem no pescoço; as graças serão abundantes, especialmente para aqueles que a usarem com confiança.’ “

Então o quadro se virou, e no verso apareceu a letra M, monograma de Maria, com uma cruz em cima, tendo um terço na base; por baixo da letra M estavam os corações de Jesus e sua Mãe Santíssima. O primeiro cercado por uma coroa de espinhos, e o segundo atravessado por uma espada. Contornando o quadro havia uma coroa de doze estrelas.

A mesma visão se repetiu várias vezes, sobre o sacrário do altar-mor; ali aparecia Nossa Senhora, sempre com as mãos cheias de graças, estendidas para a terra, e a invocação já referida a envolvê-la.

O Arcebispo de Paris, Dom Quelen, autorizou a cunhagem da medalha e instaurou um inquérito oficial sobre a origem e os efeitos da medalha, a que a piedade do povo deu o nome de Medalha Milagrosa, ou Medalha de Nossa Senhora das Graças. A conclusão do inquérito foi a seguinte: “A rápida propagação, o grande número de medalhas cunhadas e distribuídas, os admiráveis benefícios e graças singulares obtidos, parecem sinais do céu que confirmam a realidade das aparições, a verdade das narrativas da vidente e a difusão da Medalha”.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é a mesma Nossa Senhora das Graças, por ter Santa Catarina Labouré ouvido, no princípio da visão, as palavras: “Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para os homens.”

O sexto mandamento da Lei de Deus determina guardar a castidade nas palavras e obras. O seu âmbito inclui também a descoberta do significado e do valor do celibato consagrado, e implica a sua vivência por aqueles que receberam um tal dom divino. Muita gente, hoje, não entende o celibato dos sacerdotes e não acredita que eles o vivam fielmente. Isso acontece, certamente, por alguns o quebrarem ou o colocarem em dúvida; e outros nem sempre sabem testemunhar com a sua vida feliz. Ao mesmo tempo, parece não ser contestada a virgindade das religiosas e de outras mulheres consagradas a Deus. Não sei se esse estado de vida é realmente admirado por uma fatia significativa da sociedade. Pode acontecer que o grande valor dessa opção de vida não seja passado para as pessoas nem as interpelem.

Há, entretanto, um outro fenômeno, na nossa sociedade, que contribui para dificultar o reconhecimento do valor do celibato consagrado: o alastrar do número de pessoas, homens e mulheres que vivem solteiros por motivos de independência pessoal ou dedicação a uma causa da qual se apaixonam e absorvem. O desinteresse pelo casamento pode também ser motivado pela falta de atração pelo outro sexo, por não acreditar no casamento, por alguma imaturidade ou pelo medo de assumir compromissos definitivos. Nessas motivações, vem a dificuldade crescente de estabelecer relações afetivas maduras e estáveis por parte de muitas pessoas.

Que diferença há entre a vida cristã no celibato e essas situações humanas, escolhidas ou involuntárias? A forma exterior de vida pode ser semelhante, mas são bem diferentes a motivação, o espírito e a finalidade.

Podemos distinguir três formas de viver o celibato por parte dos fiéis cristãos:

Quando o fiel cristão descobre, na sua situação de solteiro, um apelo de Deus e o aceita de livre vontade, a sua vida celibatária pode tornar-se vocação assumida e valorizada. A pessoa pode, então, como diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), passar a viver “a sua situação no espírito das bem-aventuranças, servindo a Deus e ao próximo de modo exemplar” (nº 1658). Essa forma de vida pode não ser definitiva, e a pessoa ser chamada ao matrimônio em qualquer idade.

Assumem, de forma definitiva, o celibato pelo Reino dos Céus os que consagram totalmente a sua vida a Deus e, por isso, renunciam ao casamento. A sua opção resulta da percepção do amor de Cristo e do seu chamamento, correspondidos positivamente numa relação crescente de amor para com Ele. Nesse caso, a motivação para o celibato é teológica e carismática, é uma graça divina que a pessoa acolheu e a qual correspondeu livremente com a entrega total de si mesma a Deus.

Outra forma é o celibato sacerdotal. Esse, em certo sentido, une as duas formas anteriores: por um lado, resulta da circunstância de a pessoa sentir a vocação para o ministério sagrado; por outro, corresponde a uma entrega de si mesma para o serviço do Reino de Deus. A motivação é acentuadamente apostólica, mas fundamentada em razões teológicas e carismáticas. Diz o Catecismo: os ministros sagrados “chamados a consagrarem-se totalmente ao Senhor e às suas coisas dão-se por inteiro a Deus e aos homens. O celibato é um sinal dessa vida nova, para cujo serviço o ministro da Igreja é consagrado; aceito de coração alegre, anuncia de modo radioso o Reino de Deus” (nº. 1579; cf. 1599).

Vocação ao amor e à comunhão

Como o matrimônio, também a vida celibatária é a concretização da vocação ao amor e à comunhão a que todos são chamados. Respondendo a tal vocação inscrita no seu próprio ser, a pessoa humana realiza a sua condição e dignidade de imagem e semelhança de Deus, que “é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor” (CIC, 2331). Não pode haver opção celibatária que não seja motivada pelo amor a Deus e ao próximo. Mesmo na primeira forma acima apontada, se a pessoa assume a sua condição como vontade de Deus, não pode deixar de orientar a sua vida pelo amor, abrindo-se a uma relação sempre mais profunda de comunhão e serviço.

Sendo resposta à vocação ao amor, a vida celibatária não significa menosprezo nem visão negativa da sexualidade. Esta, como afirma o Catecismo, “afeta todos os aspectos da pessoa humana, na unidade do seu corpo e da sua alma. Diz respeito, particularmente, à afetividade, à capacidade de amar e procriar, e, de um modo mais geral, à aptidão para criar laços de comunhão com outrem” (CIC, 2332). Escolhendo o celibato, a pessoa renuncia a uma forma de viver a sexualidade, para se entregar a Deus “com um coração indiviso” (CIC, 2349). Sublima o impulso e a energia sexual, dando-lhe outro significado e finalidade, para uma fecundidade espiritual. Como Cristo, também “o Celibatário” entrega o seu corpo, e todo o seu ser, por amor a Deus e em favor dos homens. Nesta doação total, por um amor oblativo, vive a castidade própria da sua condição.

Opção de amor

O celibato, como o matrimônio, implica uma vida de relação com os outros e não de solidão, é caminho para a maturidade e não privação. É expressão de uma doação de si mesmo livremente decidida e não resultado de qualquer frustração ou desengano na relação afetiva. Também implica uma certa vivência da sexualidade: não na união física, nem na autossatisfação narcisista ou na procura do prazer recíproco e na expressão de afeto mútuo, mas na sua sublimação espiritual mediante o domínio de si mesmo. Essa liberdade pessoal é condição para fazer de si uma doação total e definitiva a Deus, suscitada pela graça que d’Ele recebeu. O celibatário renuncia: “à intimidade física em ordem a uma mais perfeita disponibilidade”; “ao calor humano de uma família, para se tornar pai ou mãe da humanidade”; “à continuação da vida nos próprios filhos para uma vida que não tem fim, a vida de Deus nas pessoas” (E. Pepe).

A vida no celibato é uma opção de amor

A vida no celibato é, portanto, também uma opção de amor, mas orientada para Cristo. A pessoa doa-se a si mesma, não a uma pessoa de outro sexo com a qual estabeleceu vínculos de afeto, mas a Cristo no qual crê e pelo qual acredita ser amado. A sua entrega significa o assumir de uma vida que é renovada por Cristo e penetrada pela força do Espírito. A pessoa doa-se em todo o seu ser, também na dimensão física, mas o faz de forma diferente da que é vivida no matrimônio.

Há um texto muito sugestivo de Chiara Lubich que fala da castidade como o “dilatar o coração segundo a medida do coração de Jesus”. Fazendo assim, a pessoa empenha-se em amar cada irmão ‘como Jesus o ama’. A isso a autora chama a “castidade de Deus”. Escolhendo o celibato por ter sentido o grande amor de Cristo por ele, o fiel cristão esforça-se por viver o amor à maneira e segundo a medida de Cristo. Para ele, o amor a Cristo e aos irmãos constituem um mesmo e único amor. E trata-se sempre de amar por Jesus, por uma graça que vem d’Ele. É um amor a todos, universal, mas vivido na doação um a um, isto é, àquele que encontro, que passa pela minha vida. Está aqui a originalidade do amor na pessoa celibatária, que é diferente, portanto, do amor conjugal. Esse passa sempre pelas expressões humanas da sexualidade e da ternura.

Gerar a vida na dimensão espiritual

A doação livre de si mesma ao outro, fielmente, como Jesus ama, é o que torna o amor puro e casto, tanto na pessoa casada como na celibatária. Na primeira, as expressões físicas do amor não o degradam; na segunda, não precisa tolher o coração nem reprimir o amor, pois encontrará sempre expressões belas para amar o seu próximo, de forma concreta e sensível. No primeiro caso, o amor une sempre mais quem o vive e estreita os vínculos entre as pessoas. É vivido na doação e acolhimento mútuos. No celibatário, o amor não prende, mas liberta, é vivido na generosidade e no desapego, torna a pessoa dom para os outros sem esperar a compensação.

O amor do celibatário há de ser também fecundo, gerar vida não no sentido físico, mas na dimensão espiritual. Mediante o amor, o celibato gera a vida de Jesus nas almas que encontra, cria vínculos espirituais com as pessoas e pode mesmo exercer uma paternidade espiritual, fazendo com que tais pessoas se sintam regeneradas, recebendo uma nova vida: a de Deus. Desse modo, enriquece também a humanidade, contribui para o seu crescimento qualitativo e espiritual.

Quem é chamado ao celibato, consagrando a sua vida a Deus, faz a renúncia à vida de casado. Cumpre, quase à letra, a palavra de Jesus: “Qualquer de vós que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Renuncia à sexualidade genital, à relação de afeto com outra pessoa, à paternidade ou maternidade biológica, a constituir a sua família, desapega-se de tudo e de qualquer pessoa, para seguir Cristo mais de perto e viver uma comunhão especial com Ele. Mas dessa relação, no Espírito Santo, pelo amor, há de surgir uma nova família, a fraternidade cristã, que pode adquirir múltiplas formas e que se traduz na vida da comunidade cristã, na sua variedade. Se não gerar a comunidade dos filhos e filhas de Deus, o celibato fica infecundo. Sem a paternidade ou maternidade espiritual, o celibatário corre o risco de ficar estéril e viver a sensação de perda, de frustração, de estar incompleto, de não atingir a plenitude.

Liberdade pessoal

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). O celibatário, que assume a sua vocação livremente e a vive fielmente numa doação incondicional a Deus, no amor e no serviço generoso aos irmãos, experimenta realmente a felicidade e “vê”, verdadeiramente, Deus na sua vida. Deixou tudo pelo Senhor e nada lhe falta. Renunciou a constituir uma família e vive rodeado de irmãos e irmãos, de filhos e filhas, numa grande família espiritual reunida no amor de Cristo.

A sua vida é muito diferente da de muitos solteiros de moda, centrados em si mesmos e nos seus prazeres, gerando e gerindo a solidão, que produz um vazio de alma e tédio. Viver em celibato, conservando a castidade do coração, exige esforço para corresponder à graça da própria vocação. É preciso, antes de mais, cuidado em manter e consolidar a liberdade pessoal, para amar sempre mais, mantendo a vigilância sobre todas as situações que a podem pôr em causa. E, face aos limites e falhas, o celibatário há de abraçar a cruz e recomeçar no empenho pela fidelidade no amor. A relação com Deus, sempre mais profunda, cultivada na oração, e uma sadia comunhão fraterna ajudam muito a manter-se fiel na própria entrega de amor.

O celibato e o matrimônio são duas vocações diferentes, mas não contrapostas. Celibatários e casados, felizes na sua vocação, deverão constituir estímulo e ajuda uns aos outros, partilhando o próprio dom, reconhecendo e estimando o dos outros, numa comunhão eclesial operada pelo Espírito Santo.

Padre Jorge Manuel Faria Guarda

A apresentação do Senhor, a qual, celebramos com toda solenidade neste dia, é uma festa de antiga tradição. É considerada como memória conjunta do Filho e da Mãe. Ou seja, os protagonistas do dia são Jesus e Maria, ao lado do seu esposo José. Jesus cumpre a oblação de si mesmo ao Pai, que completa-se sobre a Cruz. Maria, juntamente com José, oferece o divino Filho com a dificuldade íntima de uma renúncia que inaugura a missão corredentora. Não se celebra um mistério alegre, e sim, uma antecipação da Páscoa, que se traduz em cada Eucaristia celebrada, na qual o pão e o sangue são transubstanciados como Corpo e Sangue de Cristo. “Entrará no seu templo o Senhor que buscais”, vai dizer o Profeta Malaquias, sobre esse misterioso evento profético, que é uma prodigiosa exultação de libertação, de universalidade, de esperança. Nesta dimensão coloca-se como um vazo aberto, esperando ser preenchido: a história da humanidade se parte, porque aparece apresentado o enviado de Deus. Jesus entra no templo e através de um rito purificatório, ainda um pequeno bebê, prova pela boca de Simeão e de Ana, que a salvação chegou. Apresentado no templo, Jesus é o consagrado do Pai e, por Ele, toda a humanidade também é consagrada ao Pai.

Mas, hoje, celebra-se o consagrado, aquele que em alguma forma de vida religiosa, consagra-se a Deus por inteiro. Para mostrar o elemento divino e o elemento humano da consagração dos seres humanos, usa-se uma dupla fórmula teológica: “consagração passiva” e “consagração ativa”. A consagração passiva é aquela na qual a pessoa humana é sujeito passivo, enquanto Deus é o sujeito agente: a pessoa humana é consagrada de Deus, ou seja, Deus consagra a pessoa humana. A consagração ativa é aquela onde o sujeito agente é a pessoa humana, ela que se consagra a Deus. A consagração é um mistério: é o resultado da iniciativa divina e da colaboração humana. A prioridade, do ponto de vista bíblico e teológico, corresponde sempre a Deus.

A consagração passiva tem sempre um caráter prioritário de Deus. Pode ser expressa com outras formas significativas: a pessoa humana é escolhida, eleita, separada, ungida, compreendida por Deus. Mais frequente é o uso de outras formas similares para a consagração ativa: a pessoa humana empenha-se totalmente, esvazia-se, doa-se, entrega-se, oferece-se, faz oblação de si mesma a Deus.

E quem é o consagrado?

O verdadeiro consagrado a Deus, deveria ser neste mundo um outro Cristo. Jesus se faz oblação/oferta total de si mesmo a Deus. Portanto, deve ser consciente de que, o verdadeiro consagrado, entra no templo do coração da pessoa humana, levando uma pessoa: Jesus Cristo, e esse “levar Jesus” é o caminho do Calvário, ou seja, vive o mistério pascoal todos os dias da sua vida. O consagrado não presta apenas um assistencialismo social. O verdadeiro consagrado a Deus deveria ser um outro Simeão; antes de tudo por estar sempre no templo, na presença de Deus, com súplicas e orações pelo povo santo de Deus, e também, por estar no templo, esperando e acolhendo Jesus, que vem nas pessoas que sofrem tantas coisas, sobretudo, os distantes de Deus.

O verdadeiro consagrado a Deus deveria ser uma outra Maria, Aquela que, oferecendo o Divino Filho ao mundo, sabe e professa verdadeiramente que Ele é o Senhor. O consagrado deveria fazer isso com a própria vida, não somente com as palavras soltas ao ar, que podem até ser belas, mas precisam ser coerentes com as atitudes. Portanto, o verdadeiro consagrado a Deus deveria ser neste mundo obscuro, o reflexo da Luz que é Jesus, pois, ele é um mensageiro de Deus. Contudo, isso só será possível, quando a tentação do fechamento do coração apagar-se.

Canção Nova

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muitos frutos” (João 12,24).

O grão precisa cair por terra, ele precisa morrer para florescer, para que dele venha o fruto de que precisamos. Somos um grão de trigo lançado neste mundo, e a própria vida vai nos mostrando que precisamos morrer em cada época, em cada etapa da nossa vida.

Aquela criança que eu era “morreu”, ficaram os valores de uma época maravilhosa na minha vida, mas não pude ficar preso em meu ser criança, não pude ficar brincando de carrinho o tempo inteiro. Eu precisei deixar morrer coisas que eu gostava. Depois, fui virando um adolescente, e aquele adolescente também foi morrendo para que esse homem pudesse nascer. Na idade em que estou, reconheço que preciso deixar morrer muitas coisas em mim, para que o homem novo floresça.

Há uma coisa que precisa morrer em nós em todas as etapas da nossa vida, desde o bebê que nasce até o idoso, precisamos deixar que morra em nós o egoísmo. Uma criança não pode ser egoísta, uma mãe não pode cultivar o egoísmo de uma criança, como o idoso também não pode ser egoísta.

O egoísmo vem por meio de diversas fantasias, fantasia do orgulho, da soberba, das vantagens próprias e das vaidades. Só nasce um homem novo quando permitimos que o homem velho morra a cada dia.

Não tenhamos medo de morrer para a inveja, para o ciúmes, não tenhamos medo de morrer para aquele sentimento ruim que tínhamos em relação àquela pessoa, que cresceu, apoderou-se de nós e fez de nós uma pessoa rabugenta, orgulhosa, amarga e azeda. É preciso morrer o azedume, a amargura, o ressentimento e a mágoa.

Só sou um homem novo quando deixo morrer o que é velho em mim. Que caia, todos os dias, por terra, esse grão de trigo, para que nasça um homem novo. Que você seja uma mulher nova a cada dia, não tenha medo de morrer para o seu orgulho, só tenha medo de morrer uma pessoa orgulhosa, porque no Reino dos Céus não tem lugar para o orgulho.

Que morra, a cada dia, esses sentimentos depravados do orgulho que nos cegam e entorpecem a nossa vista e a nossa mente. Que caia por terra e nasça sempre um homem novo a cada dia.

Deus abençoe você!

FONTE: Comshalom

O Espírito Santo quer ensiná-lo a orar

Uma das maiores honras, alegrias, grandezas e riquezas do ser humano é poder relacionar-se, é poder conversar com o Deus vivo.    Alguns consideram honra e privilégio poderem conversar com o presidente da república. Fotografam o acontecimento e o exibem até com vaidade. Uma das grandes alegrias de minha vida foi poder conversar por um breve minuto com o Papa João Paulo II. Ver as fotos renova as emoções daquele dia inesquecível.  Percebamos então a maravilha, a honra e a graça de podermos conversar, sempre que quisermos, com o Deus vivo: com o Pai celeste, com Jesus ressuscitado, com o Espírito Santo.

Orar é conversar com Deus

Toda conversa, toda fala com Deus é oração. Mas só é verdadeira oração aquela comunicação escrita e lida, ou espontânea, que seja uma  “conversa”, uma forma de comunicação com Deus. Só é verdadeira oração aquela prece que põe em contato o coração humano com o coração de Deus.

O Espírito Santo é mestre em ensinar, formar e educar para a melhor oração, aquela que seja comunicação com Deus.
Porque sabe quanto Deus ama o ser humano e quer perdoá-lo, libertá-lo, curá-lo, preenchê-lo de bens, santificá-lo, realizá-lo e fazê-lo feliz, o Espírito Santo quer levar o ser humano a escutar, a falar, a comunicar-se com o Deus vivo. É principalmente por meio desse  relacionamento que Deus realiza sua obra no coração humano.
Também porque sabe quanto o ser humano é pobre, frágil, necessitado, enfermo  e  pecador  que  o  Espírito  Santo  quer conduzi-lo a se relacionar com Deus. Ele sabe que só Deus tem todas as soluções e respostas para todos os problemas humanos.

Diante desses dois porquês, o Espírito Santo quer ensinar o ser humano a elevar-se para Deus, a comunicar-se com Deus, a orar a Deus, a ouvir e dar respostas a Deus. Numa palavra: o Espírito Santo quer ensiná-lo a orar.

O Espírito Santo leva à oração

 Basta que a pessoa conheça e acolha o Espírito Santo como amigo, para que Ele se manifeste e a induza à oração, à comunicação com Deus. O Espírito Santo pode até manifestar-se com um Dom infuso de oração. Isto é, pode conceder uma capacidade imediata de abrir o coração e a boca, e começar imediatamente a adorar, louvar, glorificar, bendizer, agradecer, ou pedir perdão a Deus. Mesmo que a pessoa nunca o tenha feito antes.

O Espírito quer ensinar todas as melhores formas de oração como: contemplação, meditação, oração de quietude, escuta, adoração, louvor, ação de graças, salmodia, intercessão, oração penitencial e outras. Pode até conceder o dom de orar numa linguagem ininteligível.
 Mais do que ensinar, Ele pode conceder um dom imediato, pelo qual o coração passa a orar por uma capacidade infusa.
“Espírito Santo, ensinai-me a orar! Ensinai-me a conversar com Deus! A ouvir o Deus vivo! Ensinai-me a me relacionar com o Deus da minha vida e do meu coração! Educai-me para a melhor comunicação com Deus! Dai-me o dom da oração! Sede meu mestre de oração. Amém!”

Pe. Alirio José Pedrini, SCJ

Foi pela Graça de Deus que Maria realizou a vontade de Deus para sua vida, e todos nós somos hoje beneficiados.

Uma única palavra resume as relações de Deus com a humanidade: Aliança. No centro do plano divino está a vontade de selar um pacto de amor com as criaturas. O deus absoluto e todo poderoso, o único, o Ser necessário e totalmente transcendente quer comunicar-se, deseja estabelecer um diálogo com o ser humano. Deus nos criou para nos transmitir seus bens. Não permanece longe, mas vem até nós para doar-se. A criação inteira é fruto dessa vontade de amor. Deus cria por amor e para amar. É o único motivo. Por isso cria o homem à sua imagem e semelhança, capaz de dialogar, de responder a seu convite para amar, para doar-se.

Toda a história da Bíblia é a história dessa aliança de amor. E essa história, para ser construída, requer sempre, a iniciativa de Deus e a resposta do homem. A Bíblia nos mostra a liança de Deus com Adão e Eva, com Noé, com Abraão, com Moisés, com todo o povo de Israel. Deus chama o homem com um amor gratuito, mas convoca-o a experimentar este amor e ser instrumento dele para que outros o experimentem também. A história da Salvação é toda tecida desta cooperação constante entre Deus e os homens.

O que assombra o ser humano é o fato de, ao mesmo tempo que experimentam a grandeza infinita de Deus, percebem que o Deus infinito quis necessitar de sua cooperação para a realização de seus planos de amor. Quis ser um com ele, e realizar uma obra de amor com a sua cooperação. Foi assim que Moisés se assombrou. Veja êxodo 3,1-12. E Moisés teve medo. Veja êxodo 4,1-18. Deus quer que o homem capte as suas demonstrações de amor e que assuma um compromisso com Ele. À sua ação deve se seguir uma reação do homem. Ele quer ser ouvido e seguido.

Desde que Deus criou o homem, este é convidado a viver esta aliança de amor, e ser cooperador dele. Se voltarmos ao Gn 1,28 veremos este convite feito ao primeiro homem e à primeira mulher. Mas se formos ao Gn 3,1-19 veremos que desde o princípio a história da humanidade está marcada pela infidelidade à esta aliança de amor. Veremos também que há um ser pervertido e perversor, um anjo decaído, o demônio, que vive a tentar o homem para que este quebre sua aliança com Deus.

Nossa Senhora jamais quebrou esta aliança, ao contrário, foi fiel ao convite de deus desde o princípio. Ontem vimos que a sua resposta ao convite para ser a Mãe do filho de Deus foi: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1,38). E este sim foi repetido durante toda a sua vida, nos momentos mais difíceis: quando teve de dar à luz num estábulo, quando teve que fugir para o Egito para que o menino não fosse morto pelo rei Herodes, e principalmente quando teve de vê-lo morrer numa Cruz, incompreendido por aqueles a quem amava, e por quem entregara toda a sua vida.

Um grande segredo de amor envolvia esta fidelidade de Maria na sua aliança com Deus, a sua cooperação incondicional com a Graça divina: Humildade e Confiança. Maria se fez sempre pequena serva. Não se arrogou de direitos, não desejou fazer valer uma pretensa justiça humana. Orgulhosos que somos, basta-nos muito pouco para nos julgarmos justos e merecedores de grandes favores de Deus e dos irmãos. Basta-nos um pouco de autoconfiança, muito pouco mesmo, para nos compararmos e considerarmos os que estão ao nosso lado como irresponsáveis, incompetentes e infiéis. Basta-nos que Deus nos peça um pouco de sacrifício ou de sofrimento, para tentarmos o mais rápido possível do nosso fardo jogando-os nas costas dos outros. Basta-nos a nossa vida, os nossos problemas, as nossas feridas, para não enxergarmos os problemas nem as feridas dos irmãos, e nos tornarmos terríveis carrascos deles. Maria foi o anti-orgulho. Não se arvorou de muita coisa por que Deus lhe chamou para ser mãe do Seu Filho. Se tivesse sentido orgulho, provavelmente teria chamado Isabel para servi-la, e não teria atravessado o deserto para servir sua prima. Teria se achado o centro, a digna de ser ajudada, e nem teria percebido que neste exato momento era a sua prima que necessitava de sua ajuda. Maria não era centrada em si, mas em Deus e na sua vontade.

Maria não vivia em torno de si mesma, e dos seus pequenos sonhos e planos, mas em torno de Deus e da sua vontade. Maria não tentava misturar o que era sua vontade, com a vontade de Deus, mas abandonava inteiramente sua vontade em prol de fazer a vontade de Deus. Por isto era capaz de captar as necessidades dos irmãos, e ao contrário de colocar fardos nos ombros dos outros, os tirava. Maria não se fez Rainha, por isto Deus a fez Rainha.

Maria confiou em Deus. Não colocou sua confiança em pessoas, em coisas, em títulos, em elogios, em confirmações que viessem dos outros. Maria simplesmente deu o seu ser para que nela se cumprisse a vontade de Deus: ” Faça-se em mim”, ela disse. Maria buscava veementemente a vontade de Deus para si, e sabia que esta vontade sempre exigiria dela abandonar seus próprios planos. Ela sabia que Deus tem a última palavra em tudo, e via em tudo a vontade de Deus, e não a dos homens. Tudo vinha de Deus. Nós somos idólatras de nós mesmos e dos nossos irmãos. Não confiamos suficientemente em Deus, e por isso sempre esperamos nas criaturas. E nos decepcionamos, porque elas não são deuses. Nós fabricamos ídolos, para que estejam ao redor de nós, a fim de nos servir quando precisamos. E nos decepcionamos. Não vamos para Deus, porque no fundo sabemos que ele não fará a nossa vontade, não nos fará de crianças, mas quer formar pessoas maduras, que escolham unicamente ele e a sua vontade. Quer que estejamos sós diante dele para dizer o nosso sim sem contar que seja outro e não nós a levar o momento sacrificado do nosso sim. Por isso nos tira as pessoas. Por isso muitas vezes nos faltou, nos falta, e nos faltarão a compreensão dos pais, dos amigos, dos irmãos mais queridos. Tudo para que esperemos só em Deus, e nos dirijamos aos irmãos sem interesse próprio algum, mas unicamente para servi-los, para amá-los gratuitamente. Assim fez Maria visitando Isabel.

E foi porque se desprendeu das criaturas, e disse seu sim com total humildade e confiança, que Maria recebeu de Deus a confirmação que lhe veio pelos lábios de Isabel: “Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”(Lc 1,42). Se escutássemos hoje de Deus estas palavras: “Bendito ou bendita és tu, benditas são os frutos das tuas obras, do teu sim a Deus”, seríamos curados num instante de toda auto-imagem negativa. Porém, para escutar estas palavras, é preciso antes escutar e dizer sim à vontade de Deus para nós. Somente no centro da vontade de Deus está a nossa cura, a nossa libertação. Somente clamando antes a Deus a graça de esquecermos de nós mesmos, das exigências e queixas que por tantos anos guardamos em relação aos nossos pais e irmãos, somente se estivermos dispostos a nos despojar da criança mimada e egoísta que há dentro de nós, é que poderemos experimentar a cura da nossa auto-imagem negativa, e enfim poderemos cantar como Maria: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador, porque olhou para seu pobre servo, ou sua pobre serva (Maria representa todas as criaturas na sua fragilidade humana). Por isto desde agora me proclamarão bem aventurado ou bem aventurada, todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração sobre os que o temem”(Lc 1,46-50).

Maria sempre experimentou, em todas as situações, a gratuidade do Seu amor por ela. E ela também era gratuita no seu amor a Deus. Fazer a vontade de Deus, ser fiel a Deus nunca foi para ela motivo de exigir que Deus a recompensasse com mimos. Não demos a vida a nós mesmos. Nada temos por nós mesmos. Tudo na nossa vida é um presente de Deus. A nossa vida é um grande presente de Deus. As alegrias, as tristezas, são um presente de Deus, às vezes misteriosos, mas que um dia compreenderemos. não é necessário compreender, mas aceitar com humildade e confiança que tudo é um presente de amor de Deus. Deus está por trás de todos os acontecimentos de nossa vida. Há coisas que nos sucederam que ele não gostaria que fosse assim, mas permitiu. A nossa liberdade, ou a de nossos irmãos foi mal usada, mas Ele é Deus, capaz de transformar todas as coisas porque nos ama. Isto não é desculpa para permanecermos crianças mimadas e insistentes em nossos planos egoístas, porque quando nos afastamos da vontade de Deus, embora ele continue nos amando, não conseguimos perceber isto, e podemos jogar fora a nossa união definitiva com Ele. Isso é muito sério. Podemos optar pelo inferno, e isto Ele não vai impedir. Embora Ele esteja trabalhando sempre pela nossa salvação, esta é uma opção nossa, que Ele não vai impedir.

Precisamos pedir a Deus a cura para nossas feridas, mas precisamos pedir a Deus acima de tudo a Sua Graça, que é o maior presente. Foi pela Graça de Deus que Maria realizou a vontade de Deus para sua vida, e todos nós somos hoje beneficiados. Precisamos louvar a Deus porque Maria o amou antes de si mesma e antes de todas as criaturas. Ela sempre escolheu Deus e a sua vontade. Maria não se sentia uma pessoa nula, péssima, mal amada. Ela não sofria de auto imagem negativa. os olhos dela nunca estiveram nela mesma ou em seus traumas, mas estavam postos na grande bondade de Deus. estava sempre a recordar suas maravilhas, e aquilo que de doloroso lhe sucedia era recebido no silêncio e na humildade, mas especialmente na confiança de que Deus é sempre amor. Peçamos hoje a Maria a Graça de sermos tirados do centro de nós mesmos, e assim curados na nossa auto imagem. peçamos a Maria, que ela “arranque” do coração de Deus a Graça de termos unicamente Deus como centro de nossas vidas. Que todas as dores, as mágoas, as feridas, os sentimentos de incapacidade, de ser desprezado, não amado, tudo isto seja colocado no coração de Maria, que está sempre unido ao coração de Jesus e do Pai. E que hoje, o fogo do espírito santo possa queimar tudo isto e nos dar um auto imagem nova, límpida, resplandescente, e possamos dizer com ela: “Realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (Lc 1,49).