Palavra do Fundador
Neste mês de abril somos chamados a penetrar com intensidade o mistério do Amor divino pela Humanidade. A Sexta feira da Paixão, juntamente com o Domingo de Ramos, na liturgia da Igreja são os únicos dois dias que ouvimos a narrativa da Paixão do Senhor. O mistério de Deus que se desfigura para nos configurar, que se “desumaniza” para nos “humanizar”, como diz o profeta Isaías no capítulo 52 nos versículos 13-14, da primeira leitura de hoje: Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. Assim como muitos ficaram pasmados ao vêlo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano. Aqui então podemos adentrar, com profundidade, dois aspectos da morte de Jesus: O ato em si e o objetivo a ser alcançado.
1. O ato em si: Cristo morreu no madeiro na Cruz, Cristo ressuscitou.
2. O objetivo a ser alcançado: Morreu por nossos pecados, para nossa salvação.
Quero me debruçar primeiramente sobre o ato de Jesus. Essa é uma realidade histórica, a dois mil anos atrás Jesus marcou a história da humanidade com a sua encarnação, celebrada no natal do Senhor, com a sua vida pública, mas, sobretudo, com a forma ignominiosa com a qual morreu. O Frei Raniero Cardeal Cantalamessa irá nos afirmar: Sem este plano da história o plano do mistério estaria desancorado e suspenso no vazio; seria uma teoria ou ideologia… talvez mais um sistema de doutrinas religiosas.
A história é confirmada pelo testemunho dos apóstolos, dos discípulos e novos cristãos que foram sendo gerados pelo caminho. Também nós somos chamados a mergulhar nesta dor de Cristo, não é uma dor como as outras dores que já conhecemos, esta dor é diferente, é a dor de um Deus, é a dor livre é a dor do Amor.
Vemos essa dor expressa na integralidade do Cristo que sofre, tanto na alma como no corpo, no Getsêmani e no Flagelo. Isso mesmo, Jesus sofre a Paixão na totalidade da sua vida. (Descrever os dois sofrimentos)
Deus o fez pecado por nós (2 Cor. 5,21). Sobre Jesus pesavam os nossos pecados, nossas misérias, nossos sofrimentos, a miséria da humanidade. Esse é o objetivo de Jesus: nos salvar. E talvez seja verdade que tudo isso já não mexe mais com os nossos corações. Vivemos a sociedade da indiferença. Temos tanto de nós que muitas vezes não há espaço para os outros, quiçá para Deus.
Na concretização do objetivo o evento pascal se transforma em mistério pascal. Isso mesmo, o histórico transita para a existência. Todos nós estávamos lá naquele dia, naquela hora. Só precisamos lembrar.
Isaías 53, 4-7 A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado! 5 Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura. 6 Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós. 7 Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca.
Por isso Ele ressuscitou, Ele venceu o pecado, venceu a morte e nos deu a possibilidade de uma vida nova, transbordante. A alegria da ressurreição deve perpetuar-se por nossas vidas, deve transbordar dos nossos corações.
Essas Palavras continuam sendo proclamadas na Igreja, para que chegue a nossas consciências, sejam encarnadas em nós, interiorizadas e se transformem em vida para nossas vidas.
Diácono Luizinho
Fundador da Comunidade Passio Domini