Palavra do Fundador

      Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós. (Mateus 5, 3-12)

      Estamos no mês no qual meditamos mais profundamente a santidade na vida de todos os filhos de Deus. Isso mesmo. Todos, sem exceção são chamados, vocacionados à santidade. A santidade vivida no cotidiano, na vida comum, no ordinário da vida, em todos os lugares e quaisquer situações nas quais nos encontremos.

      Somos feitos para a santidade, tudo deve convergir para essa realidade vivencial. É interessante como no texto de “Mateus 5” o senhor Jesus não distancia as dificuldades da vida e de algumas situações da possibilidade de um vida santa, ao contrário essas corroboram e estão intrinsecamente relacionadas, santos são os pobres, mansos, aflitos, os que tem fome e sede de justiça etc…ou seja, a santidade é construída em meio as adversidades, as provas a serem superadas, aos desafios que a vida nos impõe, a isso chamamos da santidade fruto de uma espiritualidade encarnada, na realidade da vida vivida.

      Não pensemos apenas em quantos já estão beatificados ou canonizados. O Espírito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus, porque «aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente».[3] O Senhor, na história da salvação, salvou um povo. Não há identidade plena, sem pertença a um povo. Por isso, ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado, mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de relações interpessoais que se estabelecem na comunidade humana: Deus quis entrar numa dinâmica popular, na dinâmica dum povo. (Papa Francisco, G.E. § 6)

      É comum pensarmos na santidade como algo distante, parte de uma realidade intocável por nós, o que na realidade é um engano, nós convivemos com pessoas santas, somos rodeados pelo odor da santidade, evoluímos na caminhada de santidade quando nos determinamos por Deus e em cultivar uma vida simples, original, autêntica, pautada na verdade e no seguimento de Jesus.

      Sim, a Igreja onde estão os santos e santas de Deus nós chamamos de triunfante, contudo existe uma santidade sendo construída na Igreja militante, essa é a Igreja que luta contra o pecado, que busca a superação dos seus limites, limites esses que aprisionam, ou seja, que tornam os fiéis reféns e condicionados na legitimação desses, uma santidade construída na fortaleza de Deus em meio à realidade das nossas fraquezas (Cf. II Coríntios 12,10). 

      Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais. (Papa Francisco, G.E. § 14)

      O intuito deste texto é propor uma profunda reflexão e consciência a respeito da santidade na vida comum, na vivência simples do ordinário da vida (como nos ensinou Santa Teresinha do Menino Jesus) a compreensão de que a santidade é possível quando vivemos o ordinário de forma extraordinária, quando vivemos na graça divina, amando com o amor do Senhor, nos assemelhando a ele, tornando-nos quem devemos verdadeiramente ser, humanos de fato, aos moldes da origem sonhada por Deus, na luta contra o pecado, na busca por uma vida coerente e ofertada a todos como dom de si.

      A espiritualidade, a mística, a santidade são forjadas no cotidiano das nossas vidas, na compreensão que vamos tendo da vida na perspectiva de Jesus. “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (I Pedro 1,15-16).

Diácono Luizinho

Diácono Luizinho

Fundador da Comunidade Passio Domini