Nossa vida de fé também precisa passar por todo o processo de condicionamento espiritual
Em um jogo de futebol, o escanteio é utilizado para reiniciar uma partida. Durante um jogo de futebol, muitos são os momentos em que é preciso reiniciar a partida. E, em nossa vida espiritual? Quando é preciso reiniciar a caminhada? Quando é preciso recomeçar? Quando precisamos romper com o pecado?
No jogo da vida, buscamos a vitória sobre o pecado. Corremos, suamos, driblamos o adversário e queremos, junto com nossos irmãos, ser os campeões no time da santidade. Mas, nem sempre conseguimos alcançar o troféu da vida sobre a morte. Muitas vezes, encontramo-nos despreparados. Falta-nos um treinamento mais intensivo para que possamos entrar em campo e vencer as forças do mal. Todo jogador passa por esse processo: antes de entrar em campo para uma partida de futebol, ele passa por um rigoroso treinamento: estuda as táticas do adversário, ensaia jogadas e busca um condicionamento físico que lhe seja favorável em campo. Sem esse treinamento rigoroso, a vitória é praticamente impossível de ser alcançada.

Algumas regras para vencer
Nossa vida de fé também precisa passar por todo o processo de condicionamento espiritual para colocarmos o pecado de escanteio e reiniciarmos uma nova jogada a favor da santidade. Para que o nosso desempenho no campo da vida seja favorável, algumas regras para vencer são fundamentais:

1) Vida de oração: drible a preguiça com sua força de vontade e disciplina, invista em momentos diários de oração. Faça deles sua vitória contra o desânimo. Seja o artilheiro do campeonato da vida e marque muitos gols contra o pecado!

2) Cultive a paciência: se você errou a jogada ou algo lhe roubou a paz, se marcou um gol a favor do pecado, não desanime! Vença o jogo pela luta da santidade com fé! Seja persistente ao buscar a vitória e ganhe de virada. Olhe sempre para o objetivo principal de sua vida em campo. Sua meta é ser santo, mas tenha a plena certeza de que para sê-lo é, antes, preciso aprender a ser humano. Por isso mesmo, faça um gol de placa contra a falta de paciência com si mesmo.

3) Tenha amigos que busquem os mesmos objetivos que você. A união faz a força, e os amigos verdadeiros nos levam para os caminhos de Deus. No campo da vida, somente será vitorioso o time que aprender a partilhar os lances e jogar em união. Junte-se aos seus amigos e faça uma barreira contra o pecado. Sozinhos, nada conseguimos; mas quando partilhamos as dificuldades, nenhuma jogada do pecado consegue ultrapassar nossas barreiras.

4) Aproveite bem o seu tempo: evite fazer faltas, pois muitas delas podem ocasionar um pênalti. Assim, você fica mais propenso a levar um gol sem necessidade! Jogue com sabedoria e confiança, mas sem ser agressivo. Faça do tempo seu amigo para alcançar a vitória. Quem vence um jogo somente com faltas, arrisca sua vida; e suas jogadas contra o pecado não têm força, ao contrário, alimentam-no ainda mais.

5) Coloque o pecado de escanteio: reinicie uma nova partida no campo da fé sempre que precisar. No jogo da santidade contra o pecado, sempre temos a oportunidade de recomeçar. Não há necessidade de amarelar diante do adversário. Seja o artilheiro do amor, o goleiro da esperança e o técnico da sabedoria na vitória contra o pecado!

Canção Nova

O amor de Deus supera todo e qualquer mal

Deus é tão grandiosamente mais poderoso do que o maligno que pode, até mesmo, reverter as consequências dos males que satanás semeia neste mundo, ou as fatalidades decorrentes de um universo sujeito à imperfeição, em um proveito e/ou crescimento para a pessoa ou para a humanidade. É a Palavra que nos garante isso como certeza de fé, um princípio eterno: “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8, 28).

O Altíssimo está sempre à nossa frente com Seu amor, nos instruindo, dando suporte e conduzindo-nos aos Seus desígnios. Nós é que, no tempo e no espaço do agora, podemos optar pelo bem que vem de Deus ou pelo mal que é próprio do maligno. Quando escolhemos o mal, esse gera consequências que nos tornarão pessoas infelizes. Sabemos que uma árvore boa não pode dar frutos ruins e vice-versa (cf. Lc 6,43). Assim mesmo, o céu pode mover-se ao nosso favor se nos arrependermos e não continuarmos a investir no lado das sombras.

Do Senhor não provém nenhum mal

“Deus é inacessível ao mal” (cf. Tg 1,13); e Ele tem um bom propósito a respeito de cada criatura. “Quando Deus criou suas obras, desde o princípio, quando as formou, distinguiu suas partes. Ele determinou para sempre suas tarefas e o domínio de cada uma em suas gerações” (Eclo 16, 26-27). Foi a livre escolha do homem que introduziu, no universo, um caráter perecível à natureza dos elementos e rendeu o cosmos ao poder do diabo.

O Senhor é infinitamente bom e todas as suas obras são boas. Todavia, ninguém escapa da experiência do sofrimento, dos males existentes na natureza. Esses males estão ligados às limitações próprias das criaturas (cf. Catecismo da Igreja Católica nº. 385). Não importa o quanto sofremos ou interpretamos um fato desagradável somente como prejuízo, pois, de alguma forma, o Senhor pode extrair algum bem.

Um pouco da história de José, filho de Jacó

Os filhos de Jacó, alimentavam a inveja contra um de seus irmãos, José. Então, venderam-no como escravo para mercadores ismaelitas (cf. Gn 37). Em decorrência disso, José foi parar no Egito. Sofreu prisões e injustiças, mas essas acabaram sendo os artifícios que tornaram possível o seu encontro com o faraó. Ele interpretou os sonhos desse governante e lhe deu a sugestão de estocar abundantes grãos das primeiras sete colheitas para o tempo de fome que chegaria.

Assim, José, obtém do soberano do país o reconhecimento de seus dons e se torna o Primeiro Ministro, ou seja, o homem mais poderoso do país, somente subordinado ao faraó. Ele salva a população local e toda a terra da fome.

Algum tempo depois, os próprios irmãos de José viajaram para o Egito em busca de alimentos. Foi, então, que se depararam com aquele a quem cometeram grande injustiça. Entretanto, José deixa exalar de si não a mágoa de ter experimentado o mal que seus irmãos lhe fizeram, mas aponta a bondade com que o Senhor reverteu aquela penúria. “Mas agora não vos entristeçais, nem tenhais remorsos de me ter vendido para ser conduzido aqui. É para vos conservar a vida que Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45, 5).

O arrependimento e o retorno à graça de Deus

Também das nossas falhas, se nos arrependermos de todo o coração, o Senhor pode nos purificar por meio do sofrimento, transformando-o em benefício. Davi pecou ao tomar a mulher de Urias como sua (cf. II Sm 11), mas se arrependeu (cf. II Sm 12, 13), e sofreu as consequências do seu pecado (cf. II Sm 12, 15ss); contudo, foi de Betsabéia que nasceu seu filho Salomão, o qual herdou o trono de seu pai, Davi (cf. I Rs 1, 32ss).

Tudo isso não significa que podemos nos enveredar pelos caminhos do mal, confiando que, posteriormente, o Senhor irá nos perdoar e ainda nos retribuir com um bem, e que não precisamos ter medo do mal e da injúrias sofridas. Nem ficarmos presos à concepção de que os erros do passado, em que talvez nem tínhamos conhecimento do certo e errado, será motivo de penalidades enviadas pelo Senhor.

No momento do sofrimento, realmente não é fácil acreditar que o Pai irá operar algum bem, mas devemos acreditar e manter viva a chama da esperança, até porque, a maioria de nós já experimentou que de lamentos do passado, podemos pelo menos, alcançar o crescimento pessoal.

Tomemos para a nossa vida o exemplo do Cristo, que padeceu pelas nossas faltas (cf. Is 55). Ele que não era merecedor, foi esmagado pelos nossos pecados, contudo, do pior crime que a humanidade quis cometer: matar Deus. Jesus nos salvou e Ressuscitou, tirando-nos do poder da morte, nos trouxe a melhor ‘Boa Nova’ de todos os tempos – a salvação.

 

Canção Nova

A fé é algo além de um sentimento ou uma certeza

Ainda tem sentido a fé, em um mundo onde a ciência ultrapassou horizontes que, há pouco tempo, eram impensáveis? Pode parecer que esse tipo de questionamento só possa surgir em uma pessoa incrédula, porém isso não é verdade. Atualmente, torna-se cada vez mais necessária uma “renovada educação para a fé, que inclua, sem dúvida, um conhecimento das suas verdades e dos acontecimentos da salvação; sobretudo, que nasça de um encontro verdadeiro com Deus em Jesus Cristo”¹.

Não obstante a grandeza das descobertas da ciência, hoje o homem não parece ter se tornado verdadeiramente mais livre, mais humano. Papa emérito Bento XVI nos ensina: “Temos necessidade não só do pão material, mas precisamos de amor, de significado e esperança, de um terreno sólido que nos ajude a ter um sentido autêntico também na crise, nas obscuridades, nas dificuldades e nos problemas cotidianos”.

A fé, segundo ele, “oferece-nos precisamente isso: Um entregar-se confiante a um «Tu», que é Deus, o qual me confere uma certeza diversa, mas não menos sólida do que aquela que me deriva do cálculo exato ou da ciência. A fé não é simples assentimento intelectual do homem a verdades particulares sobre Deus; é um gesto mediante o qual me confio livremente a um Deus que é Pai e que me ama; é adesão a um «Tu» que me dá esperança e confiança”.

A fé é uma experiência

A fé é algo além de um sentimento ou uma certeza; é uma experiência. Quando olhamos para Deus, podemos nos deparar com um “deus” tradicional, um ser poderoso, no qual aprendemos a crer, porque, normalmente, a maioria das pessoas ao nosso redor acreditam ou, podemos realmente olhar para o Senhor e saber que Ele existe não porque contam, mas porque o conhecemos e fazemos uma experiência pessoal com Ele.

Não que a tradição familiar e cultural da fé sejam algo ruim, mas essa “educação para a fé” deve nos direcionar também a um caminho que nos levará a uma profunda e verdadeira experiência com esse “Tu” que é Deus. Dessa relação, dia a dia, nasce a verdadeira conversão do coração e da mente.

Fé: caminho seguro para uma verdadeira conversão

Essa fé que a Igreja professa é o caminho seguro para uma verdadeira conversão de vida. O Papa João Paulo I, em uma das quatro catequeses que fez durante seu curto papado, definiu: “Eis o que é a fé: entregarmo-nos a Deus, mas transformando a própria vida”. É esse o caminho que Deus quer trilhar conosco: uma relação pessoal e real com Ele, e uma transformação verdadeira das nossas vidas. Não há sincera experiência de fé se não houver uma concreta mudança na vida pessoal.

Uma experiência de fé que não atinge a minha forma de agir, pensar, sentir, relacionar-se, não pode ser considerada fé em Cristo. Fé é relacionar-se, e o relacionamento com Jesus atinge toda a nossa forma de estar e ser no mundo. A começar do nosso caráter, não existe relação com Deus que não nos leve a uma busca sincera para segui-lo e imitá-lo. Por isso, o próprio Jesus afirmou que “uma árvore se conhece pelo fruto” (Lc 6, 44). Um cristão é conhecido pelo amor.

Desconheceis que a bondade de Deus o convida à conversão?

Essa educação para a fé é um trajeto feito no pessoal. Não dá para pensar que Deus me ama como sou, e por isso não preciso mudar. É justamente esse amor de Deus, real e concreto, que nos impulsiona e no incomoda a não continuarmos como somos, mas querer ser melhor para Deus e para o outro.

Em sua catequese sobre a fé, o João Paulo I pediu que cada um de nós, toda a Igreja, rezasse a oração que ele costumava rezar: “Senhor, aceita-me como sou, com os meus defeitos, com as minhas faltas, mas faz que me torne como tu desejas”.

Unidos pela oração.

Canção Nova

Seja o vosso sim, sim; e o vosso não, não!

Quando Jesus falou à multidão no Sermão da Montanha, orientou os que estavam presentes: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mt 5, 37). Essa ordem do mestre, que se estende e ecoa através do tempo e chega aos nossos dias, e porta como mensagem central a coerência. Ou seja, o compromisso responsável de associar, principalmente, dentro da política o conteúdo das palavras, dos ideais, dos princípios norteadores da vida, das ações concretizadas na vivência do cotidiano. O sim apenas pode ser sim, e o não apenas pode ser não.

Uma exortação tão clara e direta é atualíssima, se como cristãos introjetarmos um olhar sobre a política e nossa relação com esse aspecto de nossa vivência comunitária e humana. A política no Brasil, não por definição, mas por constatação histórica e social, é vinculada a práticas dissimuladas, volúveis, personalistas e incoerentes. O sim pode ser sim, pode ser não ou pode ser talvez. O não pode ser não, pode ser sim ou pode ser talvez. O que se diz pode não ser o que se expressa e o que se expressa não contem o que se diz. A “coerência” vivida na política segue uma definição própria, específica e as vezes deturpada. Sobre a nossa política, uma figura de relevância na história recente, afirmou: “Na política, o feio é perder”.

Somos chamados a ser sal da terra e luz do mundo

Diante disso, talvez fosse coerente que as pessoas de bem se afastassem de tais ambientes, de tais esquemas, dessa estrutura que de tantas formas e meios, viabiliza a deturpação da ideia de coletividade e de trabalho para o bem comum. No afã do senso comum, poderia se perpetuar a máxima do “não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”. Essa ação até pode ser aceitável para as pessoas de bem, mas não para os cristãos, exatamente por uma questão de coerência.

No mesmo Sermão da Montanha, disse Jesus: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa” (Mt 5, 13-15). Ou seja, por força da natureza de nosso seguimento a pessoa de Jesus, não podemos dar de ombros para a realidade político-social, pois somos chamados a sermos sal e luz. Temos de, onde estivermos, levar sabor ao que está insípido e dissipar as trevas com a luz emanada de Cristo através de nós. Um dos campos mais carentes dessa presença, seguramente é o da política.

A responsabilidade e a própria consciência

A presença do cristão na política se dá de múltiplas formas, sendo a carreira na política a de menor expressividade. O Congresso Nacional é composto por 594 políticos (deputados federais e senadores) incumbidos de representar os 209 milhões de brasileiros, numa proporção de 1 político para 351.852 pessoas. Isso nos leva a afirmar: o meio mais eficaz de contribuirmos para o saneamento de nossa política nacional é sermos coerentes. Comprometa-se com sua consciência, com sua identidade, com sua forma de vida. Comprometa-se com o seu chamado, com sua vocação à santidade.

Pesquise, debata, escute as propostas do seu candidato. Não vote por conveniências pessoais, mas por convicção. Após o voto, acompanhe o mandato de seus representantes, os interpele se desviarem-se de seus compromissos de campanha. Você tem o dever de prestar contas de seus votos a cada quatro anos, quando vai comparecer diante das urnas mais uma vez.

Comprometa-se e seja coerente

Se o seu voto, por desleixo, inconsequência, descompromisso ou pior, por corrupção (em troca de uma vantagem pessoal) elegeu um corrupto, que atuou contra os recursos da saúde, da educação, da segurança, que agiu contra a vida humana, dos nascituros ou na senescência, que aliou-se aos que se esbravejam como inimigos de Cristo e da sua Igreja, você tem uma parcela direta de responsabilidade. Tal como Pilatos, por mais que você ou eu “lavemos as mãos”, o sangue dos inocentes ainda clama ao céu.

Comprometa-se meu irmão; seja coerente! Seja sal e luz. Se na ultima eleição você foi ludibriado ou mesmo equivocado em sua escolha, peça a Deus o auxílio do Espírito Santo e aja com discernimento. Não somos cristãos apenas nas missas e encontros religiosos, e sim, 24 horas por dia. E o seremos também nas dinâmicas que se vinculam a política.

“O castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus”.
Platão

Canção Nova