Palavra do Fundador

“O SIM DA VIRGEM MARIA DEVE SER TAMBÉM O NOSSO SIM A DEUS”
Comumente o mês de maio nos recorda a Santíssima Virgem Maria, o nosso amor pela mãe de Deus, a Theotokós, e nossa mãe, a ela a nossa devoção, bem como a propagação da nossa devoção/comunhão para que um dia todos cheguem a Jesus. Isso mesmo filhos e filhas, ir à Virgem Maria é a certeza de sermos direcionados para Jesus. Ela é a seta certeira que nos indica o caminho para a eternidade, para a salvação das almas.
Podemos pensar assim, a partir do que ela disse: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1,38). O fiat, também traduzido como faça-se ou sim, designa a disposição e a conformidade absoluta a vontade divina, o texto nos relata que ela quer saber somo isso “se fará”, o arcanjo lhe diz, se ela compreende, não fica explícito, mas, sobretudo, nesse diálogo é enaltecido adesão dessa santa menina.
Nessa dinâmica com Nossa Senhora, Deus nos ensina algumas etapas que também são e devem ser vividas por nós: 1ª) Deus sempre nos visita e nos propõe; 2ª) Ele sempre nos apresenta o seu projeto; 3ª) Submete esse projeto a nossa adesão livre, respeitando a nossa liberdade; 4ª) Espera de nós uma resposta. Diante dessas etapas tão densas e ricas poderíamos discorrer sobre quaisquer uma dessas, contudo escolhemos refletir sobre a resposta.
Deus sempre espera a nossa resposta, isso serve para a vida, para todas as dimensões da nossa vida. Li, há algum tempo, uma reflexão na qual um confrade da Academia Brasileira de Hagiologia, Pedro Bezerra, afirmava: “Para se chegar a um lugar tem-se de deixar outro. Se quero ir à praia, tenho de sair de casa. Se pretendo ir à cidade x, ao País y, preciso sair de minha cidade, de meu País. Não há como ser de outra forma. Algumas passagens a gente escolhe e compra, livremente. A vontade de conhecer leva a gente às fontes do que se procura. O desejo de maravilhar-se conduz a gente a cenários magníficos, a lugares paradisíacos. É também a liberdade de amar que induz ao encontro da pessoa amada. De tal maneira que, sem ofender a memória de nenhum cultor da filosofia, pode-se analogizar um ‘vir-a-ser’ cosmológico vivencial”.
Quanta verdade nessa reflexão. Consegues compreender que toda resposta implica numa mudança, num deslocar-se, desalojar-se, em mudanças internas e, porque não dizer, externas, e essas se darão quanto maior for a nossa flexibilidade às mudanças, tanto neurais como psíquicas (neuroplasticidade), axiológicas (valores), biológicas, comportamentais, espirituais.
A resposta dada pela Santíssima Virgem Maria mudou tudo; sua vida, sua história, as nossas vidas, a Humanidade, a História. Somos partes da mudança decorrente do sim de Nossa Senhora. Em tudo isso ela continua nos ensinando em como responder. Movida pelo temor, pela santa obediência e a comunhão já existente com o Altíssimo: só se dispõe a reposta determinada quem já possui comunhão, sem comunhão não há decisão.
O modelo de resposta que deve ser dada a Deus, para todo cristão, está nesse trecho do Evangelho de Lucas. A obra lucana dá ênfase a resposta da Santíssima Virgem, como sendo rápida e objetiva, ou seja, sem delongas e infinitas indagações, como sendo assertiva, na prontidão, como ontológica (no ser) e empírica (nas coisas, na concretude). Eu e você precisamos aprender com a Santíssima Virgem a dar o nosso sim a Deus, o sim da Virgem Maria deve também ser o nosso sim a Deus: Faça-se em nós segundo a vossa santíssima vontade.

Diácono Luizinho

Fundador da Comunidade Passio Domini