Palavra do Fundador

Começo esta carta com uma profissão de fé:
A quem nós iremos. Senhor Jesus Cristo? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos, sabendo que és o Senhor, que tu és o Cristo, o filho de Deus! (João 6,68)
Esse é o sentimento do meu coração: o desejo profundo de que essa pequenina obra de Deus se mantenha firme na convicção de que não temos outro a quem nos dirigir a não ser Jesus, ele é o Cristo, nosso Senhor e Salvador, o filho de Deus que tem Palavras de Vida eterna. Quem se dirige a Jesus está numa estrada segura, pois nessa há verdade e vida.
Estamos celebrando a Santa Missa, nesta solenidade de São Pedro e São Paulo, em ação de graças, ainda em tempos pandêmicos, celebrando os dezesseis anos de fundação de nossa comunidade e, muito mais, estamos celebrando a consagração de três novos membros na vocação do Amor Incondicional para alívio do sofrimento, ato que demonstra a vivacidade do carisma, da vivência oracional, fraterna e apostólica desta obra, também em gratidão a Santa Igreja, na pessoa de nosso bispo diocesano, Dom Tarcísio Scaramussa, SDB, que em comunhão com o conselho presbiteral de nossa diocese, se designou reconhecer em caráter definitivo, no dia 12 de janeiro de 2022, a Associação Particular de Fieis Comunidade Católica Passio Domini, enquanto um carisma autêntico na Igreja.
Queremos reafirmar nosso amor à Igreja, nossa obediência e fidelidade ao magistério, a tradição e a Palavra de Deus, nossa eclesialidade. Também queremos expressar publicamente nossa gratidão: Muito obrigado Dom Tarcísio pela confiança, por sua paternidade para com esta obra.
De modo especial, para este ano de 2022, o senhor nos inspirou um rema provocador: Coragem, Mãos à obra! Eu estou convosco (Ageu, 2,3-5). Profecia confiada no tempo da reconstrução do templo de Jerusalém, período pós-exílio, na qual Deus usa o profeta Ageu para inspirar e provocar o povo a
trabalhar na reconstrução do templo e a contemplar esse trabalho. Somos então chamados ao duplo movimento; trabalho e contemplação da obra de Deus. Esse duplo movimento nos impelirá a missão, a “arregaçar as mangas”, a ir além, com entusiasmo, determinação, com alteridade e empatia, sentindo com o outro para levar-lhes o alívio do sofrimento. Tanto o sofrimento do ser, interior, quanto o sofrimento do físico, corporal. Hoje também somos chamados a orar pelo Santo Padre, o Papa Francisco, além de orarmos por ele, por sua saúde, sua missão a frente da Igreja, ele foi constituído pelo Espírito Santo o primeiro entre os iguais, queremos também nos apropriar de suas moções, incorporando-as na dinâmica desse movimento, ser uma Igreja em saída, hospital de campanha, samaritana, acolhedora aos moldes de Jesus em comunhão eclesial e sensibilidade as necessidades humanas mais prementes. Os relatos de acolhimento feitos por Jesus nos Santos Evangelhos demonstram que o senhor acolhia a todos, sem distinção. O mais surpreendente é que os que eram acolhidos mudavam de vida, eram transformados pelo amor de Jesus, assim aconteceu com Zaqueu, Levi, Marta, Maria e Lázaro, Maria Madalena entre outros. Essa ainda é a proposta da Igreja. O que quero dizer com isso? É simples. Quero dizer que a santidade de nossas vidas (Cf. Exort. Apost. Gaudete et exsultate), que nosso testemunho de amor, seja capaz de produzir inúmeras conversões em todos aqueles que acolhermos, e que todos façam experiência de Deus, aquela que ressignifica a vida e a existência (como afirmava o Papa emérito Bento XVI), sem proselitismo ou imposição, mas por atração. E se preciso usemos as palavras. Que Deus abençoe a todos vocês meus filhos e filhas na vocação.

Diácono Luizinho

Fundador da Comunidade Passio Domini