Lectio Divina: a leitura orante da Palavra

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Nesse mês da Bíblia, a Palavra de Deus, precisamos não só olhá – la como uma coletânea de textos santos. É propriamente a Palavra do Deus, que criou o Céu e a Terra e por meio dela podemos nos encontrar intimamente com esse Deus Misericordioso que deseja a nossa salvação (Cf. 1 Timóteo 2, 3-4) e nos ajudará diariamente para que isso se torne realidade.

A Lectio Divina, ou Leitura orante da Palavra de Deus, é uma prática antiquíssima na Igreja que remonta os padres do deserto. Monges que se retiravam  da vida agitada e barulhenta do secular, para se refugiarem nos locais quietos e serenos da criação de Deus a fim de encontrá-lo, a fim de conhecê-lo intimamente.  E é nessa motivação que criaram essa prática tão frutuosa espiritualmente. Em seus refúgios eremíticos buscavam se apoiar na Palavra daquele que os seduziu a essa vivência, recebendo latentes frutos em si, uma sabedoria infusa grandiosa, concedida por Deus, que transbordava em atos irrepreensíveis. Hoje em dia essa prática de oração não só nos é possível como também é aconselhada, afinal Deus nos quer  perto de si.

“A leitura orante da palavra de Deus, chamada pelos monges do deserto de Lectio Divina, consiste na experiência diária com a revelação bondosa e sábia de Deus a todos aqueles que desejam profundamente mergulhar no mistério do amor encarnado.” (Diácono Luiz, Fundador da Comunidade).

Temos bem perto de nós a possibilidade de constantemente nos encontrarmos com o Criador, de adentrar a sua intimidade. 

Mesmo que não moremos no deserto, antes de tudo precisamos criar o nosso próprio deserto. Um lugar de intimidade, calmo que não possa nos roubar de Deus tanto no quesito externo, como no interno e isso que dizer: em estado de graça, quietude da alma e numa ânsia pela santidade. 

Para o bom cumprimento da Lectio Divina, devemos compreendê-la em quatro degraus: A Leitura, Meditação, Oração e Contemplação.

No primeiro degrau já compreenderemos a importância de estarmos no deserto. A etapa da Leitura não é simplesmente ler, pois a Lectio Divina é mais do que isso, é deixar que os significados daquilo que se lê entre em seu coração. Procurar destrinchar todos os aspectos da passagem da Bíblia a qual se está lidando. Já há a mão de Deus no primeiro degrau. Se o coração está aberto (por isso recomenda-se uma oração introdutória) certos significados da Palavra vão adentrando com mais peso do que outros, certos pontos da passagem ganham mais profundidade do que outros e o caminho para a meditação é formado.

Na Meditação alcança-se a profundidade daquilo que se leu. Analisando repetidas vezes e combinando ao recolhimento, começam a brotar em si exigências para a santidade, verdades recheadas de significado, orientações para uma vida mais próxima a Deus que foram concedidas senão por intermédio do Espírito Santo que nos inspira e nos doa seus dons. 

Mas esses dois passos de nada valem sem o passo da Oração. “Nas leituras e meditações ficamos conhecendo as nossas obrigações, mas na oração obtemos as graças de cumpri-las.” (Santo Afonso Maria de Ligório). Quem reza se salva, vai dizer o mesmo santo, e é por isso que esse passo é tão importante, pois tudo que foi semeado na nossa alma precisa ganhar força, precisa ser anexado ao âmago de nossas almas como verdades celestes a qual santificarão os nossos atos. Esta força só nos é concedida se rezarmos e rezarmos confiantes ao salvador que concede a força aos desvalidos e coragem aos fracos.

Por último alcançamos o degrau da intimidade, o da Contemplação. Neste, todas as graças e luzes concedidas pelo Pai na oração são assentadas na alma e ganham o devido lugar que irão ocupar durante a batalha do dia-a-dia. Isso porque quem as coloca na alma está bem perto. Deus está revelado e contemplado pela criatura que se aventurou pela oração confiante e insistente. Neste estado, nos encontramos todos cheios de Deus, admirados pela sua Sabedoria Providente que nos sustenta todos os dias pelos caminhos de sua vontade. A gratidão nos infesta e saímos da oração com muito com o que anotar.

É claro, haverão dias secos onde a Palavra de Deus nos será breve mas ainda assim consoladora, outros ainda de deserto. Mas o que não podemos deixar de fazer é pedir (mesmo que insistentemente), e anotar aquilo que brotou em nós, pois, em tempos difíceis, teremos como lembrar das promessas do passado. Busquemos a Deus, que nos deseja perto Dele!  

 

Ighor Coutinho de Jesus

Pré-Discípulo I

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